Eleitor fiel deve dar vitória a Chávez em referendo

Pesquiasas dizem que baixo comparecimento de oposição no pleito pode garantir aprovação de reformas

ENRIQUE ANDRÉS PRETEL, REUTERS

21 de novembro de 2007 | 11h24

Um "núcleo duro" de seguidores do presidente Hugo Chávez deve lhe dar a vitória no referendo de dezembro, quando os venezuelanos decidirão se aceitam ou não uma reforma constitucional que, entre outras coisas, irá permitir a reeleição presidencial ilimitada. Apesar de algumas medidas do pacote incomodarem a maioria dos venezuelanos, as últimas pesquisas apontam para uma provável vitória do governo. O favoritismo mostra a força do apoio popular a Chávez, no poder há oito anos. O presidente diz que as reformas servem para aprofundar o seu "socialismo boliviariano". Pelo menos 40% o dos venezuelanos não sabem se apóiam ou não as reformas, e entre os demais há uma forte divisão, segundo várias pesquisas - sejam elas independentes, governistas ou oposicionistas. As pesquisas na Venezuela são politizadas, mas há um consenso do que acontecerá no dia da votação. Chávez deve ganhar, graças ao baixo comparecimento da oposição, à popularidade do presidente, ao uso da máquina do governo e a "iscas" incluídas no pacote constitucional, como a redução da jornada de trabalho. "O presidente começou esta curta campanha sem uma maioria clara", disse Saúl Cabrera, da empresa Consultores 21. "Mas a opinião pública geral é uma coisa, e outra é a opinião das pessoas que vão votar de verdade", disse ele, acrescentando que a vantagem de Chávez está em cerca de 10 pontos percentuais. Partidos de oposição, entidades estudantis, líderes religiosos e ONGs de direitos humanos dizem que Chávez age de forma autoritária ao propor controlar as reservas internacionais do país, privilegiar amigos em detrimento de autoridades regionais eletivas e censurar a imprensa em caso de "emergência". As pesquisas mostram que até mesmo muitos venezuelanos que normalmente votam em Chávez têm pouco apetite por essas grandes mudanças. Trata-se, portanto, de um desafio inédito para um presidente reeleito por ampla margem no ano passado. Chávez diz que as 69 emendas constitucionais a serem votadas como pacote vão ampliar os poderes populares, por permitir que as comunidades administrem bilhões de dólares em projetos de saneamento, estradas ou eletrificação, por exemplo. O presidente também dá ênfase à ampliação dos direitos das donas de casa, empregadas domésticas e ambulantes, e à criação de 150 mil empregos por causa da redução da jornada de trabalho. Apesar disso, Chávez, que admite seu desejo de passar décadas no poder, está ciente de que desta vez seu apoio popular é menor.  "Minha mensagem a todos [da minha equipe] é que tentemos traduzir o altíssimo nível de apoio ao presidente em apoio à reforma constitucional", disse ele. "Quem votar 'não' está votando contra Chávez, quem votar 'sim' está votando em Chávez", acrescentou.

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