Em artigo, Fidel afirma que Cuba caminha bem sem ele

Presidente cubano fala sobre o afastamento e insiste que é consultado a respeito de cada decisão de governo

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

01 de agosto de 2007 | 09h03

O líder cubano Fidel Castro disse em artigo publicado nesta quarta-feira, 1, que, embora seja perseguido por perguntas sobre seu retorno, tudo vai bem na ilha depois de um ano sob o governo interino de seu irmão Raúl Castro.   Veja Também Leia o artigo (em espanhol)     Em seu novo texto, Fidel, que se afastou do poder em 31 de julho do ano passado devido a uma doença intestinal, não esclarece se voltará às funções que ocupou ininterruptamente desde 1959.  Há um ano, ao anunciar seu afastamento, Fidel garantiu que a interinidade do irmão Raúl seria provisória. Agora, no novo editorial, ele diz ser "consultado" por Raúl sobre cada "decisão importante".   "Cercam-me com perguntas sobre o momento em que voltarei a ocupar o que alguns chamam de poder", escreveu ele no artigo publicado pelo Granma, jornal oficial do Partido Comunista.   "Compartilho com o povo a satisfação de observar que o prometido se ajusta à realidade inalterável: Raúl, o Partido, o governo, a Assembléia Nacional, a Juventude Comunista e as organizações de massa e sociais marcham adiante guiados pelo princípio inviolável da unidade", acrescentou.   Negociação com os EUA   O artigo de quarta-feira, intitulado "A chama eterna", parece concordar com a recente autocrítica de Raúl sobre os problemas da economia cubana.   Por outro lado, Fidel rejeitou a proposta de negociação formulada na semana passada por seu irmão ao futuro sucessor do presidente dos EUA, George W. Bush, maior inimigo do regime comunista.   "Que ninguém tenha a menor ilusão de que o império, que leva em si os genes da sua própria destruição, negociará com Cuba", escreveu Fidel.   O líder cubano afirma também que, "com a mesma convicção, continuamos batalhando sem descanso para libertar da cruel e impiedosa prisão os cinco heróis que davam informações sobre os planos terroristas anticubanos dos Estados Unidos", em referência aos agentes cubanos condenados por espionagem nos EUA.   "A luta deve ser implacável, contra nossas próprias deficiências e contra o inimigo insolente que tenta se apoderar de Cuba", afirma Fidel, em clara referência aos EUA.   "Por mais que digamos ao povo dos Estados Unidos que nossa luta não é contra ele, algo muito correto, este não está em condições de frear o espírito apocalíptico de seu governo", acrescenta em sua reflexão.   Ele ainda afirma que também os EUA não poderão frear "a turva e maníaca idéia do que chamam de 'uma Cuba democrática', como se aqui cada dirigente se candidatasse e elegesse a si mesmo, sem passar pelo rigoroso exame da arrasadora maioria de um povo educado e culto que o apóie".   Fidel insiste em "algo que não pode ser jamais esquecido pelos dirigentes da Revolução: é dever sagrado reforçar sem descanso nossa capacidade e preparação defensiva, preservando o princípio de cobrar aos invasores em qualquer circunstância um preço impagável".   O presidente cubano, que completa 81 anos em 13 de agosto, foi submetido no último ano a várias cirurgias intestinais que o mantiveram, segundo ele mesmo, entre a vida e a morte. Pela primeira vez em 48 anos, Castro não compareceu às comemorações do Dia Nacional da Rebelião, na semana passada.    Matéria alterada às 14h03.

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