Em ato, Chávez ameaça expulsar correspondentes da CNN

Chavistas encerram a campanha pelo 'sim' em referendo; 'maré vermelha' invade ruas de Caracas

REUTERS

30 de novembro de 2007 | 19h12

O presidente Hugo Chávez ameaçou nesta sexta-feira, 30, expulsar do país os correspondentes da rede internacional CNN. Segundo o venezuelano, que encerrou a campanha pelo "sim" no referendo, a TV prestaria serviços ao "imperialismo" e estaria atentando contra seu governo no plebiscito do próximo domingo, 2. Veja também: Oposição mostra força em manifestaçãoEspecial: Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma Brasil não mediará crise entre Chávez e Uribe, diz Amorim  De acordo com Chávez, o governo americano estaria por trás de um plano para "sabotar" a indústria petrolífera, o serviço elétrico e os suprimentos de alimentos durante o plebiscito.   O presidente não descartou a possibilidade de usar armas para "defender" a Venezuela. " Se eu tiver de pegar um fuzil de novo para defender a pátria eu o faria de novo, não me importo", disse. Manifestação Simpatizantes do presidente venezuelano, Hugo Chávez, se reuniram em uma avenida central na capital Caracas para mostrar seu apoio à polêmica reforma constitucional impulsionada pelo líder de esquerda. Mais de 16 milhões de eleitores estão convocados para pleito.    Vestidos com bonés e camisetas vermelhas a favor do "sim" para o projeto, chavistas de todas as partes do país atenderam ao pedido do presidente para encerrar a campanha eleitoral.  A "maré vermelha", como os governistas chamam suas concentrações, invadiu com bandeiras nacionais e cartazes a avenida Bolívar, a mesma que na quinta-feira, 29, foi palco de uma grande concentração da oposição, que fechou sua campanha pelo "não". "O presidente ajuda muita gente pobre (...), estamos agradecidas ao presidente e votaremos pelo 'Sim'", disse uma das manifestantes à televisão estatal.  A chamada "grande concentração em apoio ao 'sim' - 'sim' da reforma constitucional" transcorreu em um ambiente de alegria, à espera da chegada do "comandante presidente" e de seu discurso no fechamento da campanha.  Apesar de as recentes pesquisas não deixarem claro um favorito para o referendo, o líder venezuelano está seguro que sua reforma será aprovada. É a primeira vez que Chávez enfrenta uma votação sem uma grande vantagem.  Na quinta-feira, dezenas de milhares de adversários da reforma marcharam até a mesma avenida no encerramento de sua campanha para rejeitar o projeto, que, segundo eles, busca perpetuar Chávez no poder.  'Sim, sim, agora sim' "Sim, sim, agora sim", gritavam os simpatizantes do governo bolivariano, em alusão às respostas que darão na consulta de domingo aos dois blocos em que foram divididos os 69 artigos da Carta Magna a serem alterados. Desde cedo, os milhares de simpatizantes do governo começaram a chegar à avenida Bolívar procedentes de todas as partes do país. Na opinião de alguns dos manifestantes, a reforma é um projeto que favorece os jovens e os idosos, que estão esquecidos. Funcionários governamentais reiteraram seu pedido para que os eleitores não deixem de ir às urnas no domingo para respaldar a proposta presidencial de reforma de 69 dos 350 artigos da Constituição de 1999. "É preciso sair para exercer um exercício cívico. Votar cedo e, sobretudo, respeitar os resultados. Tenham a certeza de que o governo os respeitará, sejam quais forem", disse Jessy Chacón, ministro de Telecomunicações e um dos homens mais próximos ao presidente venezuelano. Respeito aos resultados O governo denunciou que a oposição planeja não reconhecer a possível vitória do "sim" na reforma do referendo e gerar violência e caos no país. Também advertiu que responderá de forma "contundente", porque não permitirá a alteração da paz. A oposição rejeitou as denúncias governamentais, e o partido Podemos, ex-aliado do governo, ratificou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que "não participou nem participará de nenhuma conspiração" contra o governo. Enquanto os partidários de Chávez se reuniam no centro de Caracas, o Podemos assegurava que no domingo haverá um "tsunami de votos" contra a reforma, porque houve uma "dissidência vertical" entre as fileiras governistas nos últimos meses.

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