Em Brasília, Cristina Kirchner defende integração regional

Candidata à Presidência da Argentina defende fortalecimento do Mercosul com entrada da Venezuela

Eduardo Davis, da Efe,

03 de outubro de 2007 | 19h59

Em sua passagem por Brasília nesta quarta-feira, 3, a primeira-dama e candidata presidencial argentina, Cristina Fernández de Kirchner, pediu uma maior integração regional na América do Sul. Veja Também Perfil dos candidatos  Principais propostas dos candidatos  A senadora e esposa do atual presidente da Argentina, Néstor Kirchner, esteve em Brasília por seis horas, durante as quais participou de um almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se reuniu com diretores de 17 empresas nacionais. Estavam representadas, entre outras, Petrobras, Gerdau, Odebrecht, Camargo Corrêa, Coteminas, Banco Itaú e Embraer. "Foram reuniões muito boas", declarou Cristina, para quem foi reafirmada a associação estratégica entre Brasil e Argentina, que deverá "ser expandida a toda a região", a fim de fortalecer sua voz no cenário internacional. Cristina avaliou como "excelente" a relação entre os presidentes Kirchner e Lula, e afirmou que esta será mantida caso ela vença as eleições presidenciais do dia 28. "O mundo se configurou em blocos, e é preciso fortalecer o bloco regional" disse a candidata, em referência ao Mercosul, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e ao qual a Venezuela está em processo de adesão plena. Esta adesão, segundo explicou o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, foi respaldada por Lula e Cristina. Aliança energética Durante seu discurso perante os empresários, a candidata falou sobre a importância da Venezuela e da Bolívia, países que qualificou de "estratégicos" para a construção de uma aliança energética sul-americana. "A necessidade de fechar a equação energética latino-americana é fundamental", disse a senadora, que considera que a região é obrigada a "articular com pragmatismo" sua unidade, que deverá ser "sustentada em matéria energética". Segundo a senadora, a região está diante de uma oportunidade histórica, pois o mundo logo demandará uma grande quantidade de alimentos, que têm nos países da América Latina alguns de seus maiores produtores globais. Além disso, falou sobre as mudanças ocorridas na Argentina durante o mandato de Néstor Kirchner, e disse que a "continuidade de projetos" em seu país será boa para toda a região. Na reunião, os empresários levantaram algumas dúvidas sobre a inflação na Argentina, que foram rapidamente dissipadas pela candidata. "Os empresários manifestaram certa preocupação com notícias de que a inflação na Argentina poderia chegar a 17%, mas ela garantiu que não superou 10% entre agosto deste ano e agosto do ano passado", assinalou Marco Aurélio Garcia. Apoio García também esclareceu que Cristina não veio ao Brasil para pedir o apoio de Lula para as eleições.  Segundo o assessor do governo brasileiro, as relações com o Brasil são "um capítulo mínimo nas eleições argentinas", que serão definidas por outros fatores. Embora tenha se tratado da visita de uma candidata presidencial, a senadora chegou ao Brasil em um avião d Presidência argentina, acompanhada pelos ministros das Relações Exteriores, Jorge Taiana, e Economia, Miguel Peirano, e pelo porta-voz da Casa Rosada, Miguel Núñez.

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