Em cerimônia tumultuada, Maduro toma posse na Venezuela

Nicolás Maduro tomou posse nesta sexta-feira como presidente da Venezuela, numa cerimônia tumultuada e sem a presença da oposição, que não reconheceu sua vitória na apertada eleição de domingo.

MARIO NARANJO, Reuters

19 de abril de 2013 | 18h19

Maduro, que já era o presidente interino da Venezuela desde a morte do líder socialista Hugo Chávez, em 5 de março, recebeu a faixa presidencial de uma das filhas do antecessor.

"Juro hoje, 19 de abril, pelo legado eterno dos Libertadores, por Deus, por Cristo redentor, pelo povo da Venezuela, pela memória eterna do comandante supremo (Chávez), que cumprirei e farei cumprir esta Constituição", disse Maduro, um ex-motorista de ônibus e ex-sindicalista de 50 anos.

Minutos depois, um desconhecido interrompeu seu discurso ao subir no palanque e arrancar o microfone da mão do presidente. O jovem de casaco vermelho tentou pedir ajuda a Maduro, mas foi afastado do local.

"A segurança falhou totalmente, podiam ter me dado um tiro aqui facilmente", queixou-se Maduro, depois de passar por esse momento de tensão diante de 17 dignitários estrangeiros, incluindo a brasileira Dilma Rousseff, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o cubano Raúl Castro.

Maduro venceu a eleição de domingo com menos de 300 mil votos de vantagem sobre o rival Henrique Capriles, que solicitou uma recontagem total voto a voto, um pedido acatado parcialmente na noite de quinta-feira pelas autoridades eleitorais.

O clima político continua polarizado na Venezuela. Uma parte dos moradores de Caracas comemorou a posse de Maduro soltando rojões, enquanto outra bateu panelas como forma de protesto.

Capriles haviam pedido a seus seguidores que, na hora da posse, tocassem salsa a todo volume, e batessem panelas. "Que se escute esse 'salserolaço' em toda a Venezuela. A voz do Povo! O governo 'enquanto isso'", escreveu Capriles no Twitter.

O líder oposicionista, que solicitava uma recontagem total dos votos, acabou aceitando a solução oferecida pelo Conselho Nacional Eleitoral: abrir uma amostra representativa com 12 mil caixas que contêm comprovantes emitidos por urnas eletrônicas, e ao mesmo tempo ampliar a auditoria eletrônica para 100 por cento das atas de votação.

Capriles solicitava a recontagem de todas as cédulas impressas. O CNE não informou quando a auditoria será iniciada, mas disse que ela irá durar cerca de um mês.

"Temos uma mesma história há 200 anos ... com segurança agora vai se aprofundar um trabalho conjunto para o bem de nossos povos", disse o presidente boliviano, Evo Morales, ao chegar a Caracas.

(Reportagem adicional de Marianna Párraga e Enrique Andrés Pretel)

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