Em entrevista, Fidel Castro diz sentir-se 'ressuscitado'

O ex-presidente cubano Fidel Castro chegou a perder a vontade de viver, mas hoje se sente "ressuscitado" e com muito por fazer, disse o líder ao diário mexicano La Jornada, em uma rara entrevista sobre a enfermidade que o afastou do poder em 2006.

REUTERS

30 de agosto de 2010 | 15h03

Fidel, que acaba de completar 84 anos, reapareceu em público no início de julho após quatro anos de convalescença.

"Cheguei a estar morto. Já não desejava viver...Me perguntei várias vezes se essa gente (seus médicos) iria me deixar viver nessas condições ou iria deixar que eu morresse. Depois, sobrevivi, mas em condições físicas muito ruins", disse ao La Jornada.

"Quero lhe dizer que está na frente de uma espécie de ressuscitado", acrescentou na entrevista, publicada na segunda-feira.

Fidel nunca revelou qual foi a enfermidade intestinal que o obrigou a transferir o poder ao irmão Raúl Castro em 31 de julho de 2006, o que classificou no ano passado como um segredo de Estado.

Desde que rompeu seu isolamento, o veterano comandante tem participado de pequenos atos públicos e até mesmo pronunciou um discurso perante o Parlamento.

No entanto, permanece à margem da política doméstica, a cargo do irmão Raúl, general que o sucedeu formalmente na presidência em fevereiro de 2008.

Fidel disse ao La Jornada que está conseguindo construir um "movimento antiguerra nuclear".

Há algumas semanas o líder revolucionário dedica suas energias a alertar sobre a sua teoria de uma iminente hecatombe nuclear, caso EUA e Israel ataquem o Irã por causa do programa de energia atômica daquele país.

"Não quero estar ausente estes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa de sua existência e estou bastante comprometido com o que vai acontecer. Tenho coisas a fazer", disse.

Fidel revelou que, após a doença, chegou a pesar 66 quilos. Para ilustrar sua recuperação disse que hoje pesa 86 quilos e caminha diariamente 600 passos sem apoio.

Questionado pelo La Jornada sobre o que encontrou após "ressuscitar", afirmou: "Com um mundo como o de loucos...Um mundo que aparece todos os dias na televisão, nos jornais e que não há quem entenda, mas que eu não gostaria de perder por nada do mundo."

(Reportagem de Esteban Israel)

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