Em livro, ex-reféns americanos chamam Ingrid de 'arrogante'

'Out of Captivity' relembra os cinco anos em poder das Farc; ex-senadora é retratada como 'mulher durona'

Agência Estado e Associated Press,

26 de fevereiro de 2009 | 14h16

Os três norte-americanos que foram mantidos reféns pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) durante 5 anos escreveram suas memórias sobre a experiência. O texto faz críticas à ex-candidata à presidência colombiana, Ingrid Betancourt, com quem dividiram o cativeiro. O livro sobre os 1.967 dias como reféns dos homens que prestavam serviços para o Exército dos EUA na Colômbia é uma narrativa emocionante sobre sobrevivência, na qual descrevem a dor e a perseverança, o tempo passado na selva, as marchas forçadas sob correntes, os riscos de um ataque e o impressionante resgate. Veja também:Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Porém, a revelação mais bombástica de Out of Captivity (Fora do Cativeiro) trata de Ingrid, a política franco-colombiana sequestrada em 2002 enquanto fazia campanha pela presidência. Um dos empregados da Northrop Grumman alega que Ingrid era arrogante, autocentrada, roubava comida e escondia livros. Ela teria ainda colocado a vida do trio em risco, ao dizer aos guardas rebeldes que eles eram agentes da CIA. "Eu vi ela tentar tomar o controle do campo com uma arrogância que estava fora de controle", afirmou Keith Stansell em entrevista na quarta-feira. "Alguns dos guardas nos tratavam melhor que ela". Stansell, um ex-marine de 44 anos, foi libertado junto com Ingrid e seus colegas Thomas Howes e Marc Gonsalves, além de 11 colombianos. Na ação, militares disfarçados de agentes humanitários os retiraram da selva em julho de 2008. Ingrid não respondeu aos pedidos para rebater as críticas. Uma porta-voz dela afirmou que Ingrid está escrevendo seu próprio livro e não dará declarações até a conclusão da obra. O ex-senador Luis Eladio Pérez negou que Ingrid tenha dito aos rebeldes que os norte-americanos eram agentes da CIA. Pérez disse que não comentaria as outras afirmações contidas no livro, lançado nos Estados Unidos nesta quinta-feira pela HarperCollins. Os outros dois norte-americanos concordam com as declarações de Stansell sobre praticamente tudo, porém não ficaram tanto tempo quanto ele convivendo com Ingrid. Os reféns disputavam o espaço para dormir, a comida e também o único dicionário inglês-espanhol.  'Durona' Quando Gonsalves tornou-se mais próximo da ex-candidata à presidência, houve fortes ciúmes de outros prisioneiros homens, de acordo com o livro. "Ela é uma mulher durona", disse Gonsalves, de 36 anos. "Ela costumava tornar as coisas difíceis para os guerrilheiros." Ingrid frequentemente era acorrentada durante todo o dia, após tentar escapar com Pérez. "Eu nunca a vi reclamar ou chorar por causa disso", recordou Gonsalves. Os guardas das Farc tinham ordem para matar os reféns, caso houvesse uma tentativa de resgate. Segundo Howes, eles aceitaram o fato de que a morte poderia ocorrer a qualquer momento, naquele contexto. O trio concorda com a política dos Estados Unidos e do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de não negociar com os grupos que tomam reféns. "Continuem atacando-os e as Farc vêm para a mesa de negociação", avaliou Gonsalves.

Tudo o que sabemos sobre:
FarcColômbiaIngrid Betancourt

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.