Em meio a crise, Bolívia coloca Exército em 'emergência'

Governo se diz 'preocupado' com aspirações autonomistas de regiões do país, mas descarta mobilizar tropas

Agências internacionais,

13 de dezembro de 2007 | 17h54

Em meio às tensões criadas pela decisão de líderes opositores da Província (Estado) de Santa Cruz em anunciar a criação de um estatuto autonômico, o governo da Bolívia anunciou nesta quinta-feira, 13, que as Forças Armadas do país estão em "alerta" para proteger a propriedade pública e privada, informou o ministro da Defesa Walker San Miguel. Citado na edição online desta quinta-feira, 13, do jornal La Prensa, a autoridade ressalvou que a segurança estará em primeira estância nas mãos da "polícia".  Veja TambémTensão na América do SulSanta Cruz aprova estatuto autônomo Mirando a movimentação na província autonomista, o governo de La Paz já havia anunciado o envio de um reforço de 400 policiais à região. No sábado, grupos opositores formados por líderes civis, políticos e empresariais irão apresentar o estatuto, acordado na noite de quarta-feira, e que deve funcionar como uma espécie de Constituição regional. O comandante da polícia Miguel Vásquez confirmou o envio de reforços policiais para a região. "Estamos vendo a garantia da segurança dos bens e da população da cidade de Santa Cruz". Segundo o porta-voz do governo Álex Contreras, "foram mobilizados efetivos policiais para guardar os bens públicos e privados para evitar que no sábado se cometam atropelos e excessos". A decisão de Santa Cruz serve de inspiração a outras três províncias bolivianas. Segundo o jornal boliviano La Razón, as regiões opositoras de Tarija, Beni e Pando devem aprovar um regime semelhante entre esta quinta-feira, 13, e sábado.  A rapidez com que o estatuto tramitou na Assembléia Autonômica de Santa Cruz foi uma reação à nova Carta, aprovada no último domingo, e que a oposição considera ilegítima e centralizadora. Concentrando 35% do PIB boliviano, Santa Cruz é o mais forte centro de oposição ao presidente Evo Morales. Juntamente com Beni, Pando e Tarija, ele forma a chamada meia-lua, que há algum tempo vem demandando autonomia para ter maior controle sobre seus recursos. Recentemente, os Departamentos de Chuquisaca e Cochabamba engrossaram o coro anti-Evo. Governo No palácio do governo, o presidente Evo Morales convocou mais uma vez os governadores das regiões opositoras para o diálogo, acusando-os de "operar de maneira camuflada para separar a Bolívia". Por sua vez, o ministro San Miguel destacou que ainda não houve mobilização de tropas, segundo o La Prensa. "Não ordenamos nenhuma mobilização de tropas à cidade de Santa Cruz, (mas) estamos muito atentos e preocupados com o que está acontecendo no país", disse o ministro da Defesa. San Miguel também descartou a possibilidade de decretação de um estado de sítio na província.

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