Em rara entrevista, Cristina Kirchner critica inflação argentina

Avessa a aparições na imprensa, candidata à Presidência qualifica de 'razoável' preços no País

Ariel Palacios, do Estado,

24 de outubro de 2007 | 13h48

"Não quero que me identifiquem nem com Hillary Clinton nem com Evita Perón, nem com ninguém!". Desta forma, a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner, candidata do governo de seu marido, o presidente Néstor Kirchner, à presidência da República, enfatizou que não aprecia as comparações.   "Com Hillary temos algumas coincidências, pois ambas temos sido advogadas, senadoras e esposas de presidentes...Mas é preciso não imitar ou se parecer a pessoa alguma", afirmou. As declarações foram realizadas à portenha Rádio La Red, que nesta quarta-feira, 24, no programa Estou de teu lado transmitiu a entrevista gravada na terça.   A primeira-dama é conhecida por sua profunda aversão à imprensa. Por este motivo, chamou a atenção pela entrevista concedida. Desde que seu marido tomou posse em 2003, ela, no posto de senadora, não deu entrevistas nem aceitou realizar coletivas de imprensa. Apesar de ser candidata, rejeitou a possibilidade de participar de um debate com os outros concorrentes.   No entanto, a entrevista foi imediatamente criticada, já que a entrevistadora era a jornalista Mónica Gutiérrez, declarada admiradora de Cristina Kirchner.   No diálogo, a primeira-dama afirmou que a inflação argentina é "mais do que razoável" se for levado em conta a expansão da economia que o país registrou nos últimos anos. "Em cinco anos tivemos um crescimento do PIB de 49,3%, inédito nos últimos 100 anos".   A candidata defendeu o índice medido pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob intervenção do governo de seu marido. O índice do Indec, afirmam os líderes da oposição e economistas independentes, está sendo manipulado desde janeiro. Eles afirmam que a inflação "real" é o triplo da "oficial".   Cristina disse que seu eventual futuro governo não aplicará "políticas monetaristas" para combater a inflação.   Na reta final da campanha a candidata está tentando conquistar os votos dos indecisos dos grandes centros urbanos, onde sua popularidade é menor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.