Em referendo tranqüilo, governo pede diálogo no Equador

População vota a esquerdista Constituição andina, que amplia os poderes do presidente Rafael Correa

Redação com agências internacionais,

28 de setembro de 2008 | 12h11

A votação do referendo no Equador começou às 7h da manhã deste domingo, 28, e transcorre em clima de tranqüilidade. O governo do presidente Rafael Correa pediu que todos os cidadãos acatem resultado da consulta e admitiu a importância de manter o diálogo para construir o futuro". Veja também: Especialista explica situação do país Áudio da entrevista com o professor Ayerbe Correa diz que Odebrecht aceitou acordo; empresa negaO ministro do governo equatoriano, Fernando Bustamante, expressou sua confiança de que o "sim" à nova Constituição patrocinada pelo governo no referendo vença nas urnas,mas enfatizou que qualquer que seja o resultado, todos devem se submeter ao pronunciamento popular.Bustamente  qualificou como "muito dura" a campanha eleitoral, que terminou na quinta-feira, pelo nível de confronto entre os que apóiam e os que rejeitam o projeto constitucional. Por sua parte, o vice-presidente do Equador, Lenín Moreno, destacou hoje a importância de se manter o diálogo após o referendo. Moreno afirmou que a "melhor forma de exercer o direito a expressar seu pensamento e vontade é a democracia" e acrescentou que qualquer que seja o resultado, o futuro para o país é "otimista".Tranqüilidade e atrasos O ministro da Segurança Interna e Externa do Equador, Gustavo Larrea, destacou hoje o início "tranqüilo e sereno" do referendo .Larrea assegurou que até agora tudo foi "bastante bem" e expressou sua esperança de que a mesma tônica se mantenha durante todo o dia de votação, que durará dez horas. O ministro assinalou que não houve nenhum incidente até agora na votação, que começou com certo atraso na abertura de algumas seções eleitorais e com pouca participação na primeira hora, segundo a imprensa local.A emissora "Teleamazonas" informou que em vários colégios eleitorais de Quito as mesas de votação não puderam ser preparadas a tempo pela falta de membros designados para integrá-las. Um dos coordenadores da votação disse a esse canal que a falta de eleitores também originou o atraso.Segundo ele, os militares que custodiam as mesas eleitorais podem, inclusive, selecionar pessoas que vão votar para integrar uma determinada mesa desfalcada de pessoal. O coordenador ressaltou, porém, que estas ausências também aconteceram no início de pleitos anteriores e que, por isso, a situação deve se corrigir ao longo do dia. A imprensa destacou também a pouca afluência de eleitores na primeira hora, situação que também ocorreu no passado, pois a maioria das pessoas prefere ir às urnas ao meio-dia e à tarde. O projetoQuase 10 milhões de equatorianos devem votar no referendo, que prevê uma histórica virada à esquerda, contra oposição dos fracos partidos políticos tradicionais, do empresariado e da Igreja Católica. Depois de 20 meses no poder, o presidente conserva alto nível de popularidade, sobretudo entre a maioria pobre do país, ao qual destinou projetos sociais multimilionários financiados com a receita do petróleo. A nova Constituição aumenta o controle do Estado sobre setores estratégicos da economia equatoriana, baseada nas exportações de petróleo e nas remessas de dinheiro enviadas por milhões de equatorianos que emigraram para os Estados Unidos e a Europa, fugindo das recorrentes crises econômicas e políticas. Ela também promete uma maior participação dos cidadãos na tomada de decisões, outorga amplos poderes executivos ao presidente esquerdista e lhe abre a porta para governar por mais dois mandatos consecutivos, o que lhe permitiria permanecer no poder até 2017. Correa, um  'bolivariano moderado'Embora Correa assegure que a nova Constituição proposta representa a última oportunidade de sair da "longa e triste noite neoliberal" que arruinou o pequeno país de 14 milhões de habitantes, seus adversários dizem que ele a utilizará para seguir os passos de seu amigo e aliados venezuelano Hugo Chávez. A oposição enfraquecida pode conseguir uma vitória simbólica na cidade litorânea de Guayaquil, seu reduto eleitoral, a partir da qual ela promete resistir ao "socialismo autoritário" do governo, conclamando a população à desobediência civil. Mas especialistas descartam a possibilidade de repetir-se um cenário semelhante ao da Bolívia, onde os adversários do presidente Evo Morales também procuram evitar a aprovação de uma nova Constituição e pedem a autonomia das regiões mais ricas em que governam.  Apesar de sua amizade com Chávez e Morales, analistas vêm Rafael Correa como um líder menos radical que eles, alguém que faz uma crítica pragmática aos Estados Unidos.

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