Embaixada estrangeira ajudou na volta de Zelaya, diz ministro

Autoridade não cita país que teria apoiado retorno, e diz apenas que não há o envolvimento da Venezuela

Agência Estado,

22 de setembro de 2009 | 09h11

O ministro da Defesa do governo de facto de Honduras, Adolfo Lionel Sevilla, afirmou a um jornal local que "uma embaixada de um país sul-americano" ajudou o presidente deposto Manuel Zelaya a voltar ao país. Derrubado em um golpe em 28 de junho e expulso de Honduras, Zelaya apareceu na segunda-feira em Tegucigalpa e está instalado na embaixada do Brasil.

 

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A declaração de Sevilla, dada na noite de segunda-feira, 21, não cita qualquer país específico, mas apenas ressalta que a nação supostamente envolvida "não é a Venezuela". Segundo o ministro, essa embaixada de um país sul-americano forneceu um carro a Zelaya. Sevilla disse que o presidente deposto entrou na delegação diplomática do Brasil por volta das 3h de segunda-feira, "em um carro de uma embaixada".

 

Sevilla falou ao jornal hondurenho El Heraldo. Segundo o próprio diário, porém, outras fontes asseguram que o carro utilizado por Zelaya para a operação era de um político local.

 

Em entrevista em Nova York, na segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, negou que o governo brasileiro soubesse antecipadamente que Zelaya procuraria abrigo na embaixada do País em Tegucigalpa. Amorim disse que Zelaya afirmou ter retornado a Honduras "por meios pacíficos e próprios".

 

Zelaya perdeu apoio dos militares, do Parlamento e do Judiciário ao impulsionar um referendo para alterar a Constituição nacional. Os que se opunham à medida afirmavam que o único objetivo dele era obter o direito de tentar a reeleição. Além disso, o presidente era alvo de críticas no país por sua aproximação com o líder venezuelano, Hugo Chávez. A crise estourou no fim de junho, com o golpe militar e a expulsão de Zelaya do país.

 

O mandato constitucional de Zelaya, de quatro anos, terminaria em janeiro de 2010. Ele seria substituído pelo vencedor da eleição de novembro. O governo do presidente de facto, Roberto Micheletti, é considerado ilegítimo por praticamente todos os países do mundo. Os Estados Unidos, a União Europeia (UE) e entidades internacionais congelaram, desde o golpe, cerca de US$ 300 milhões da ajuda para Honduras. Além disso, a comunidade internacional ameaça não reconhecer as eleições de novembro, caso elas sejam conduzidas pelo governo Micheletti.

 

O retorno de Zelaya gerou temores de que pudesse haver maior divisão na sociedade hondurenha e confrontos, com possíveis vítimas. Partidários do líder deposto passaram a se concentrar diante da embaixada depois que começou a circular a notícia do regresso do líder. Como havia feito no período anterior em que Zelaya planejava cruzar a fronteira, Micheletti ampliou o toque de recolher até às 18 horas desta terça-feira (1h horário de Brasília). O governo interino também ordenou o fechamento dos aeroportos de todo o país "até segunda ordem", informou a Aviação Civil hondurenha.

 

Nesta terça-feira, a presidência da União Europeia pediu uma solução pacífica para a crise. A Suécia, que mantém a presidência de turno do bloco, ressaltou a importância de se evitar "qualquer ação que possa aumentar a tensão e a violência".

 

No fim da segunda-feira, Micheletti afirmou que a mediação da Costa Rica não seria mais necessária na crise hondurenha. O presidente costa-riquenho, o Nobel da Paz Oscar Arias, tentava resolver o impasse entre Zelaya e o governo de facto, sem sucesso. "Eu acredito que o sr. Arias não tem mais nada a ver com esse conflito", afirmou Micheletti. "O papel dele está encerrado, a partir do momento em que o sr. Zelaya chegou ao país sem qualquer mediação ou de comum acordo com ninguém",

concluiu.

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