Embaixador de Honduras expulso em setembro volta à Onu

Diplomata afirmou que sua credencial nunca foram retirada e participou de reunião sem problemas

Jamil Chade,

19 de janeiro de 2010 | 18h50

No auge da crise em Honduras, em setembro do ano passado, o Brasil conseguiu articular a expulsão da ONU de um embaixador de Honduras contrário ao ex -presidente Manuel Zelaya. Na época, a diplomacia brasileira garantiu que as credenciais do embaixador haviam sido retiradas. Nesta terça-feira, 19, porém, o embaixador de Honduras na ONU em Genebra, Delmo Urbizo, voltou a representar seu país na entidade. Ele confirmou ao Estado que a retirada de sua credencial acabou nunca ocorrendo.

 

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Diplomatas ligados ao presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, foram expulsos de uma reunião da ONU em setembro depois de uma pressão feita pelo Brasil, Cuba e Argentina. O objetivo era evitar que representantes de Micheletti participassem das reuniões das Nações Unidas. O Itamaraty acreditava que estava em jogo o reconhecimento internacional do governo de Micheletti. Quando Zelaya foi deposto, Urbizo continuou a trabalhar como representante de Honduras na ONU, seguindo ordens do novo governo.

 

Entre bate-bocas nos corredores, gritos nas sala da ONU e polêmica, Urbizo acabou sendo acompanhado por seguranças para que deixasse a sala de reuniões e impedido de falar. Ao sair, gritou: "Eu voltarei".

 

"Minha credencial nunca foi retirada e sou ainda o embaixador de Honduras na ONU", afirmou ao Estado de S. Paulo.

 

Durante a reunião em que Urbizo esteve presente na ONU - que tratava sobre a situação no Haiti -, o Estado constatou a presença da diplomacia brasileira e de outros países que insistiram na expulsão do embaixador. Ninguém, porém, protestou.

 

Para Urbizo, que já foi ministro e presidente do Banco Central de Honduras, a eleição realizada em seu país foi legítima. "As eleições foram uma festa da democracia, limpas e justas, abertas para quem queria ver", disse. "O que o Brasil fez foi um absurdo. Sabíamos que algo assim poderia vir da Venezuela. Mas jamais do Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer ser uma espécie de mediador na região. Mas provou que não tem cintura para isso", completou.

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