Embaixador dos EUA na Bolívia fala de 'efeitos' de sua expulsão

Philip Goldberg disse à imprensa boliviana que a decisão de Morales de expulsá-lo do país é 'um grave erro'

EFE

14 de setembro de 2008 | 15h33

O embaixador dos Estados Unidos em La Paz,  Philip Goldberg, se despediu hoje da Bolívia após ser declarado "persona non grata" pelo presidente boliviano, Evo Morales, com a advertência de que sua expulsão pode ter "sérios efeitos".   Em sua última declaração à imprensa boliviana, Goldberg disse que a decisão de Morales era "um grave erro" e afirmou que as acusações de conspiração lançadas pelo presidente boliviano contra os Estados Unidos e contra si são "infâmias completamente falsas e injustificadas".   "Estou saindo do país com a honra de ter sido parte de um esforço louvável. Trabalhei para apoiar a democracia e o desenvolvimento da Bolívia, respaldando a luta contra a pobreza e a favor da inclusão de todos os bolivianos", ressaltou o diplomata.   Para Goldberg, "a decisão de baixar o nível das relações bilaterais" entre Bolívia e Estados Unidos que, disse, se manteve historicamente durante mais de um século, "pode ter efeitos sérios em muitas formas que não foram avaliadas apropriadamente" por parte do Governo de Evo Morales.   O até agora máximo representante dos EUA na Bolívia expressou sua "gratidão ao povo boliviano por sua acolhida e suas constantes mostras de amizade" e disse que, "apesar da atitude do Governo boliviano, a amizade entre os povos vai continuar invariável".   Goldberg se referiu aos momentos de "grande e triste tensão" que o país está vivendo e assegurou que os EUA "sempre defenderão o princípio fundamental de que os bolivianos encontrem seu próprio caminho para uma Bolívia democrática, próspera, pacífica, sem interferências e em pleno desenvolvimento de sua soberania".   O embaixador se referiu também à luta contra o tráfico de drogas, que foi uma das prioridades de seu Governo na Bolívia.   Para o diplomata, o narcotráfico é "uma praga que pode destruir uma sociedade" e "um problema que tem que ser enfrentado com determinação antes que se expanda ainda mais em nossas sociedades".   "Juntos, podemos enfrentar este problema, mas sem colaboração, vamos fracassar", advertiu o embaixador, que, no entanto, se mostrou "orgulhoso pelos frutos obtidos" no trabalho junto aos bolivianos.   Goldberg lamentou que, apesar dos "esforços" de seu país, as relações bilaterais com o Governo boliviano não tenham melhorado e expressou seus "melhores desejos" para que os povos dos EUA e da Bolívia "mantenham sentimentos de amizade e respeito", disse. As relações entre Washington e La Paz alcançaram uma fase crítica depois que o presidente Morales declarou Goldberg "persona non grata", ao que os Estados Unidos responderam fazendo o mesmo com o embaixador boliviano, Gustavo Guzmán.   A decisão de Morales foi replicada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e obteve o respaldo dos líderes da Nicarágua, Daniel Ortega, e de Honduras, Manuel Zelaya.

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