Emissário dos EUA tenta retomar acordo em Honduras

Partes de Micheletti e Zelaya se acusam mutuamente de quebrar pacto de San José assinado em 30 de outubro

Associated Press e Efe,

11 Novembro 2009 | 12h08

O vice-secretário adjunto para o Hemisfério Ocidental dos EUA, Craig Kelly, chegou a Honduras para tentar salvar o acordo que a Organização dos Estados Americanos (OEA) e Washington impulsionaram entre o presidente de facto, Roberto Micheletti, e o líder deposto, Manuel Zelaya. A reunião do americano com os hondurenhos, entretanto, não parece ter surtido resultados, visto que nenhuma das partes apresentou variações em suas posturas e exigências.

 

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De acordo com Vilma Morales, uma das negociadoras de Micheletti, o diálogo com Kelly "foi muito aberto" e girou em torno do "cumprimento do Acordo de San José de 30 de outubro". "O mais importante para a comunidade internacional, para o governo de Obama e seus funcionários é que Honduras conclua esse processo de acordo com o pacto", concluiu Vilma, acrescentando que o lado de Micheletti "espera que a outra parte (de Zelaya) continue integrando a comissão de verificação".

 

O próprio Kelly se pronunciou após a reunião, mas também não indicou nenhuma evolução. "Estamos aqui para seguir trabalhando e negociando com ambas as partes", disse o americano.

 

Zelaya declarou o acordo firmado em 30 de outubro entre os grupos políticos rivais um fracasso. O líder deposto rechaçou o governo de reconciliação estabelecido por Micheletti no dia 5, e também se negou a enviar uma lista com nomes de ministros. Segundo Zelaya, é preciso primeiro haver sua volta ao poder, para então se organizar um governo de união.

 

Deposto em um golpe militar em 28 de junho, Zelaya adverte que as eleições gerais de 29 de novembro não serão reconhecidas, caso não se reverta o golpe e ele retorne ao poder. Zelaya está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde 21 de setembro, quando retornou de surpresa à cidade.

Já Micheletti notou, em nota enviada ao secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que o acordo não permite que nenhuma parte o abandone unilateralmente. Segundo ele, o pacto tem três pontos cruciais: o respaldo às eleições, a passagem do poder em 27 de janeiro para o novo governo e a normalização das relações com a comunidade internacional.

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