Empreiteira Queiroz Galvão aceita concluir rodovia na Bolívia

Após atrito com governo, construtora brasileira desiste de reivindicar pagamento adicional de US$ 45 milhões

Reuters

11 de dezembro de 2008 | 15h20

A construtora brasileira Queiroz Galvão aceitou completar um polêmico projeto rodoviário na Bolívia, abandonando reivindicação de cobrar 20% a mais do que o preço original da obra, informou nesta quinta-feira, 11, o governo boliviano. O ministro das Obras Públicas, Oscar Coca, disse em coletiva de imprensa que a construtora comunicou sua decisão de concluir a estrada de mais de 400 quilômetros entre as cidades de Potosi e Tarija em um prazo de 28 meses e mediante o preço acertado de US$ 226 milhões.   Veja também: Odebrecht demite 3,7 mil funcionários no Equador "A empresa desistiu de seu pedido para um pagamento adicional de US$ 45 milhões, embora tenha pedido que o governo acerte um pagamento relativo a uma decisão de vários anos atrás tomada por um tribunal arbitral e que não tem relação direta com o projeto rodoviário em questão", declarou Coca. A presidente da estatal Administradora Boliviana de Estradas (ABC), Patricia Ballivián, afirmou que o governo vai fazer o pagamento, que é de cerca de US$ 15 milhões, embora tenha alertado que ele será programado de acordo com a "disponibilidade do Tesouro Geral da Nação". O governo havia ameaçado no mês passado rescindir o contrato com a construtora e executar suas garantias por US$ 30 milhões, se a empresa persistisse na reivindicação.   O dilema da Queiroz Galvão na Bolívia começou em 2007, quando a empresa foi expulsa pelo presidente Evo Morales sob a alegação de que não havia obedecido às especificações do projeto de construção de duas rodovias no Sul do país.   Na ocasião, também foi decretada a prisão de um dos diretores da companhia, que conseguiu escapar do país. Essas iniciativas foram embasadas na constatação da Administradora Boliviana de Rodovias (ABC, na sigla em espanhol) de que havia rachaduras nas obras, ainda em andamento.   A ABC também questionava o contrato de prestação de serviços, firmado em 2003, que previa o uso de cimento em vez de asfalto - produto mais adequado ao clima semi-desértico e ao terreno e mais barato.  Em visita de Estado à Bolívia, em 17 de dezembro, o presidente Lula conseguiu obter de Evo Morales o compromisso de reverter a expulsão da Queiroz Galvão.   (Com Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo)  

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaQueiroz Galvão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.