Empresários argentinos sonham se aproximar de Cristina Kirchner

O presidente NéstorKirchner, que está em seus últimos dias no cargo, tinha ohábito de censurar os líderes empresariais da Argentina, porisso os executivos do país acalentam a esperança de que seurelacionamento com a presidente eleita, a primeira-damaCristina Fernandez de Kirchner, seja melhor. Preocupados com a inflação estimulada pelo fortecrescimento econômico, os líderes do setor empresarial estãoobservando Cristina atentamente em busca de sinais de que elavá tomar rápidas providências contra a pressão inflacionária,concretizando a imagem mais próxima do setor industrial eempresarial que criou durante a campanha. Ela vai herdar o crédito que muitos argentinos dão aKirchner pela retomada do crescimento econômico, mas tambémenfrentará a preocupação com a inflação, além das acusações deque o governo estaria manipulando os índices oficiais. Líderes empresariais afirmam também que a escassez deenergia lança dúvidas sobre o panorama econômico. "Temos um péno acelerador e um no freio", disse Luis Bameule, presidente daQuickfood, durante uma reunião anual de líderes empresariais emMar del Plata. Para ele, o governo Kirchner "improvisou, preocupando-semais com o curto prazo, e isso não gera investimento, porqueassusta as pessoas. As pessoas querem perspectivas de longoprazo". O PIB argentino vem crescendo mais de 8 por cento ao anonos últimos cinco anos, o que permitiu a geração de bons lucrospara a classe empresarial, depois da forte crise econômica de2001-2002. Se para os empresários o crescimento é bem-vindo, oconvívio com Kirchner não foi dos melhores. O presidente fazia críticas frequentes em público ao setore pediu aos argentinos que boicotassem produtos de empresasacusadas por ele de conspirar contra sua política econômica. Mas Cristina já deu indicações de que vai se aproximar maisdos empresários que o marido. Durante a campanha, ela falou emeventos do setor e visitou fábricas -- coisas que o maridocostumava evitar. Ela toma posse no dia 10 de dezembro. "Com Cristina, parece haver a sensação de que se deve dar aela o benefício da dúvida, de esperá-la assumir e começar atomar decisões", disse Fabian Perechodnik, analista político doinstituto Poliarquia, que participou do evento de empresários. A primeira-dama já defendeu as estatísticas do governocontra as acusações de manipulação dos dados sobre preços. Asmais recentes mostram uma inflação de 8,4 por cento no períodode 12 meses até outubro, mas economistas na Argentina e noexterior dizem que a inflação real no período chega perto de 20por cento.

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