Empresários bolivianos fecham cerco contra Evo Morales

Empresários bolivianos, liderados poragroindustriais do Distrito de Santa Cruz, apoiaram osprocessos de autonomia de quatro províncias do país, em umdesafio declarado ao governo que rechaça tais iniciativas porconsiderá-las ilegais e separatistas.Em um pronunciamento divulgado na quinta-feira, depois de umcongresso extraordinário de uma das maiores entidadesempresariais bolivianas, líderes do setor privado exigiram queo presidente Evo Morales renuncie a seus planos de estatizaçãocomo uma condição chave para restabelecer o clima de paz. A Bolívia, um dos países mais pobres da América do Sul,está imersa em uma crise política devido às diferenças sobre osreferendos da autonomia, o primeiro deles convocado pelaoposição para o dia 4 de maio, e que se converteram no maiordesafio à autoridade de Morales. A Igreja Católica e organizações internacionais como aOrganização dos Estados Americanos (OEA) temem que a disputapossa resultar em um enfrentamento violento. Nos últimos dias,foram registrados protestos que incluíram bloqueios deestradas. "A Bolívia está em perigo", o governo é responsável por um"processo de desagregação nacional que vivem os bolivianos",disse o presidente da Confederação de Empresários Privados daBolívia (CEPB), Gabriel Dabdoub, no encerramento do encontro,segundo o jornal La Prensa. A postura dos empresários reforçou a oposição aopresidente, que enfrenta resistência para implantar uma"revolução democrática e cultural" através de mudanças naConstituição que dêem mais poder aos povos "originários" eestabeleça um vasto controle estatal sobre a economia. Dabdoub, um dos incentivadores do referendo para o estatutode autonomia de 4 de maio em Santa Cruz, afirmou que a políticaeconômica estatal e as ameaças de nacionalização de indústrias,como a de azeite, criaram "um clima de incerteza e insegurança"para o setor produtivo. Em uma primeira reação oficial, o ministro de Governo,Alfredo Rada, disse a jornalistas que a postura dos empresáriosera "exagerada" e não contribuía para facilitar um diálogo dogoverno com os líderes opositores de Santa Cruz e outros trêsdistritos que buscam autonomia. O governo afirma que um dos objetivos do estatuto de SantaCruz -- que violaria a Constituição promovida por Morales -- édar ao governador o controle da política agrária, supostamentepara favorecer a poderosos empresários agropecuários elatifundiários da região. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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