AP/Roberto Candia
AP/Roberto Candia

Enríquez-Ominami anuncia apoio a Frei no segundo turno

Ex-candidato independente à Presidência do Chile votará no aspirante da coalizão governante Concertação

EFE,

13 de janeiro de 2010 | 16h35

O ex-candidato independente à Presidência do Chile, Marco Enríquez-Ominami anunciou nesta quarta, 13, que no próximo domingo votará pelo aspirante da coalizão governante Concertação, o ex-presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle.

 

"Declaro formalmente minha decisão de apoiar o candidato deste povo e de 29% dos chilenos que votaram em 13 de dezembro", disse em alusão à porcentagem obtida no primeiro turno pelo senador Frei. Piñera, da Coalizão pela Mudança, obteve 44%, o que significa uma diferença de 14% entre Frei e Piñera.

 

Enríquez-Ominami, que em junho do ano passado renunciou ao Partido Socialista e à Concertação e se apresentou como candidato independente, explicou que tomou esta decisão "diante da incerteza de que a direita possa impedir a marcha do Chile rumo ao futuro".

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"É de minha responsabilidade contribuir no que for possível para que isso não ocorra", disse o ex-candidato em um comunicado público, alertando que deu "liberdade de ação" a seus seguidores.

 

"A liberdade de todos vocês não está sendo colocada em dúvida ao exercer a minha; vocês são os únicos juízes de sua consciência e seu voto e eu respeito sua decisão", pontuou.

 

Como vem fazendo desde o primeiro turno, ocorrido no dia 13 de dezembro, Enríquez-Ominami ressaltou que "Frei e Piñera são pessoas do passado".

 

"Com eles não podemos construir o futuro. Contudo, da direita, que é a base de sustentação da candidatura de Piñera, nos separa um abismo que é irreconciliável", acrescentou.

 

"Com o mundo da Concertação nos entendemos bem, com esses homens e mulheres compartilhamos uma visão de futuro", argumentou o ainda deputado, que anunciou a criação de um partido político "programático, moderno e democrático".

 

Afirmou ainda que são suas ideias as que venceram em 13 de dezembro, em alusão à votação que ocorre hoje no Congresso de alguns projetos de lei cuja aprovação colocou como condição para definir sua postura para o segundo turno.

 

A direita se opôs a um desses projetos relacionado com os direitos de uso de águas, em uma atitude que considerou própria desse setor político, do qual se sente, insistiu, separado por um abismo.

 

Frei e Piñera se concentraram nos últimos dias em conquistar o eleitorado de Enríquez-Ominami, que no primeiro turno conquistou 20% dos votos.

 

O empate técnico entre ambos anunciado hoje por uma projeção do instituto de pesquisas Mori, a última antes da votação, indicou que Piñera deve obter 50,9% dos votos, enquanto Frei ficaria com 49,1 por cento.  Qualquer variação, por mínima que seja, pode decidir quem será o ganhador.

 

Pouco antes do anúncio do ex-candidato independente, a diretora do instituto Mori, Marta Lagos, comentou que se ele apoiasse a candidatura de Frei, "isso poderia ter um impacto" no resultado final,

 

Enríquez-Ominami disse que votará em Frei, mas manterá todas as críticas que fez nos últimos meses aos dois partidos chilenos e em especial à Concertação.

 

"O que nos movem são apenas as ideias. Não negociei nem negociarei nada (...). Vocês não me verão em cargo algum no próximo governo. Seremos independentes, qualquer que seja o presidente que sja eleito no próximo domingo", explicou.

 

O legislador anunciou que fará uma "oposição construtiva, rigorosa e combativa" e afirmou que Frei e Piñera "são demasiado partícipes do obscuro passado do Chile".  Mas suas críticas foram mais mordazes com "o setor que apoia Sebastián Piñera", onde diz que está "grande parte daqueles que mancharam de luto nossa pátria".

 

"São cúmplices daqueles que assassinaram meu pai e hoje em dia não se arrependem de nada, e até se orgulham de ter assassinado meu pai", Miguel Enríquez, fundador do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR), morto durante a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990) por disparos dos policiais do Estado.

 

"Desde essa dor está a distância infranqueável que nos separa da candidatura da direita", concluiu.

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