Entenda a crise entre o campo e o governo na Argentina

Governo de Cristina entra em crise ao tentar validar o aumento dos impostos nas exportações agrícolas

BBC,

17 de julho de 2008 | 16h27

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner sofreu nesta quinta-feira, 17, uma derrota sem precedentes ao perder a votação no Senado do projeto de lei do governo que determinava o aumento dos impostos sobre as exportações agrícolas argentinas. A vitória da oposição chega depois de 128 dias um intensos conflitos entre ruralistas e o governo Cristina. Ao longo de quatro meses, agricultores realizaram quatro locautes, que incluiu marchas de protesto e piquetes nas estradas. Entenda os principais pontos que originaram a crise entre o campo e o governo:   Veja também: Para base de Cristina, veto de vice é incompreensível Cristina sofre derrota chave no Senado Vice veta lei, mas pretende ficar no cargo   O que diz o projeto de lei do governo que irritou tanto os fazendeiros argentinos?   Os fazendeiros argentinos começaram a protestar quando o governo anunciou um decreto aumentando as taxas na exportações de soja de 35% para 45% e impondo novas taxas para as exportações agrícolas, incluindo trigo.   Os ruralistas dizem que a medida funciona como um confisco de seu dinheiro e reclamaram que os argentinos comuns têm pouco para contribuir a alta carga tributária.   Mas a presidente Cristina Kirchner descreveu os maiores fazendeiros como "oligarcas" que se beneficiaram do aumento do preço das commodities, e disse que uma parte de bens deve ser redistribuída para cidadãos mais pobres.   Esta é a razão principal para o aumento dos impostos do governo?   Não exatamente. Essencialmente, o aumento é um elemento chave para o que agora parece ser uma fracassada estratégia econômica.   Impostos nas exportações agrícolas não são algo novo na Argentina. Eles estiveram presentes no país por décadas, tanto para aumentar os lucros como para desestimular a exportação de alimentos que são necessários no mercado interno.   Sob as políticas de economia de mercado do ex-presidente Carlos Menem, muitas dessas taxas foram cortadas nos anos 90. Mas após a crise econômica de dezembro de 2001 que culminou com o colapso do peso, os impostos subiram novamente com o então presidente Néstor Kirchner.   Ao mesmo tempo, o governo impôs o controle dos preços em vários alimentos e forçou companhias de energia e água a congelarem suas tarifas.   Como resultado, economistas criticaram Kirchner e sua esposa Cristina pelos recursos intervencionistas de soluções rápidas, ao invés de tomarem decisões impopulares como aumentar a taxas de juros para conter a inflação e diminuir o superaquecimento da economia.   Que impacto os fazendeiros tiveram até agora?   No auge dos protestos, os ruralistas mantinham mais de 300 bloqueios nas estradas do país e interrompiam o fornecimento de alimentos. Isso levou à falta de carne, leite, óleo de cozinha e outros produtos nos supermercados argentinos, cujas filas espalharam o caos.   Aumentando a dependência das taxas de exportação para financiar seus gastos, o governo de Cristina dificilmente poderia voltar atrás. Em um esforço para dar maior legitimidade a suas políticas, ela decidiu buscar a aprovação do Congresso para o aumento dos impostos.   Essa medida levou os fazendeiros a terminarem os bloqueios, deixando o debate para a Câmara dos Deputados e Senado. O governo ganhou apoio da Câmara dos Deputados, mas o Senado rejeitou as medidas nesta quinta-feira, 17.  

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