Entenda o escândalo que envolve a família Pinochet

Justiça decreta prisão de parentes e colaboradores de ex-ditador por corrupção e lavagem de dinheiro

Agências internacionais,

04 de outubro de 2007 | 14h45

Embora não tenha conseguido tempo para condenar Augusto Pinochet pelas violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura, a Justiça chilena tem agora a possibilidade de acusar a família do ex-ditador e pessoas próximas a ele por enriquecimento ilícito e fraude fiscal. A fortuna acumulada pelo general nos 17 anos em que esteve no poder ultrapassa os US$ 20 milhões, e a maior parte do dinheiro foi aplicada em contas bancárias não declaradas no banco Riggs, nos EUA.   Um juiz chileno determinou no início de outubro a prisão da viúva e de cinco filhos do ditador falecido, Augusto, Lucía, Verónica, Jacqueline e Marco Antonio, além dos os generais reformados Guillermo Garín e Jorge Ballerino, ex-chefes da chamada "Casa Militar", que foi um comitê de assessoria militar que Pinochet manteve nos últimos anos de sua ditadura (1973-1990).   Em julho de 2004, surgiram as denúncias de que o ex-ditador chileno movimentava, desde 1994, contas secretas em bancos no exterior no valor de até US$ 27 milhões.   Segundo um relatório de uma comissão do Senado americano divulgado em 2005, os elos entre Augusto Pinochet e as instituições financeiras americanas foram mais profundos e mais amplos do que antes revelado. Os investigadores descobriram que Pinochet conseguiu movimentar milhões de dólares por meio de mais de 125 contas mantidas nos Estados Unidos.   O documento de 86 páginas mostra que o escândalo de lavagem de dinheiro que inicialmente se concentrou no Riggs Bank, uma instituição de Washington que ligava os mundos financeiros e políticos, ampliou-se, estendendo-se a ao menos outras oito instituições que operam nos EUA e outros países.   Ao mesmo tempo, o comitê identificou contas que mostram que o Riggs tinha uma associação de oito anos com Pinochet. Mas o novo relatório diz que tanto o Riggs como o Citigroup tinham laços com o ex-ditador que datavam de duas décadas, com cotas num total de no mínimo US$ 9 milhões mantidas por membros de sua família, amigos próximos e ele mesmo.   Segundo o New York Times, contas no Bank of America, Banco de Chile nos Estados Unidos, Espirito Bank em Miami e quatro bancos privados em paraísos fiscais podem estar ligadas ao ex-ditador.     Em Santiago, militares mencionados como participantes do esquema bancário de Pinochet desmentiram categoricamente vinculações com o caso na época. "O general Pinochet nunca me deu um peso, nem eu a ele", disse o general e ex-ministro Jorge Ballerino, que também teve a ordem de prisão decretada nesta quinta-feira.   Em agosto de 2005, a mulher e o filho caçula de Pinochet tiveram prisão decretada por crimes de evasão fiscal e fraude. Lucia Hiriart foi solta horas depois e Marco Antonio permaneceu preso por 18 dias. Pinochet também cumpriu sua primeira prisão domiciliar por um delito de corrupção em novembro deste ano. A filha mais velha, Lucia, tentou fugir, mas foi detida no aeroporto de Washington e deportada para o Chile, onde ficou dois dias presa.   Segundo o jornal chileno El Mercúrio, pelo menos desde 1997 o ex-ditador chileno dividiu mensalmente entre seus cinco filhos e sua mulher os juros de suas milionárias contas bancárias secretas.

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