Entre acusações e defesas, Humala tenta recuperar apoio no Peru

O candidato de esquerda Ollanta Humala, que tenta relançar a sua campanha para a presidência do Peru, acusou na terça-feira o atual mandatário Alan García de apoiar abertamente a sua rival e rechaçou os vínculos com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

MARCO AQUINO, REUTERS

17 de maio de 2011 | 19h55

Nas últimas tentativas de conquistar votos antes do segundo turno da eleição no dia 5 de junho, o nacionalista atacou uma reportagem de um jornal peruano que disse ter provas que a Venezuela financiou a sua campanha quando concorreu pela primeira vez ao cargo cinco anos atrás e perdeu para García.

Humala, um militar aposentado que moderou o seu discurso radical, mas ainda assim provoca temores entre os investidores, viu as intenções de votos para a sua candidatura caírem, enquanto a sua rival Keiko Fujimori --filha do ex-presidente Alberto Fujimori-- passou a liderar as pesquisas.

Mas a diferença entre os dois candidatos é muito pequena e há uma grande quantidade de indecisos que podem ser influenciados pelo o que é dito pelos adversários.

O candidato também acusou o presidente García, um forte defensor do investimento privado e dos acordos de livre comércio, de apoiar a candidatura de Keiko, que tenta se desvincular da imagem do seu encarcerado pai por conta de violações dos diretos humanos na década de 1990.

"Temos que observar que hoje estamos vendo essa candidatura (de Keiko) ser patrocinada pelo presidente da República, pelo Governo", afirmou Humala.

O ex-presidente Fujimori foi deposto em 2000 depois de um grande escândalo de corrupção e foi extraditado do Chile para enfrentar vários processos judiciais contra ele.

"Há uma elite que se alimentou dessa corrupção durante 10 anos, eles sentem falta desse regime corrupto", acrescentou Humala.

García, cujo mandato de cinco anos acaba no dia 28 de julho, rechaçou a acusação de Humala e disse que o candidato está "ansioso" por conta da proximidade das eleições.

"Acho que é produto de ansiedade que é própria de candidatos quando as eleições estão próximas", disse García a jornalistas enquanto foi visitar um terminal portuário em Lima.

VÍNCULOS CON CHÁVEZ

Além disso, Humala negou ter recebido dinheiro do presidente venezuelano Chávez para a sua campanha eleitoral em 2006, quando o apoio do governante socialista prejudicou as suas aspirações eleitorais.

Nesta eleição, o candidato insistiu em se desvincular de Chávez, mas os seus adversários e órgãos de imprensa destacaram isso em várias oportunidades.

De acordo com o jornal El Comercio, o mais importante do país andino, Humala recebeu dinheiro de Chávez.

O diário publicou reportagem com conversas do que disseram ser de uma funcionária da embaixada venezuelana em Lima que foram gravadas por uma agência de segurança que foi investigada em 2009 acusada de fazer escutas ilegais.

"De nossa parte, não há nada disso", disse Humala sobre a reportagem em uma entrevista com a rádio local RPP.

"O que estamos dizendo é que há órgãos de imprensa que colocaram a camisa de um candidato nesta eleição e não é a nossa. Eles estão fazendo uma série de publicações caluniosas", acrescentou o candidato nacionalista.

Uma das razões para a queda de Humala nas pesquisas de intenção de voto é o temor que ele passe a adotar uma política intervencionista, seguindo o modelo de Chávez, embora ele tenha se aproximado mais do perfil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com pesquisas de opinião.

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