Entrega de reféns das Farc volta a ser adiada

Missão que deveria ter sido concluída na tarde deste domingo não tem previsão para ser retomada

Agências internacionais

30 de dezembro de 2007 | 17h41

A operação de resgate dos três reféns que seriam libertados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) voltou a ser adiada e não cumprirá o prazo estipulado para sua conclusão, que termina na tarde deste domingo, 30.   Veja também: Rebeldes tentam atingir avião militar Atraso em libertação aumenta preocupações Exército brasileiro entra em regime de alerta Garcia: libertação pode pacificar a Colômbia Cronologia: do seqüestro à liberdade  A informação é do ex-ministro venezuelano Ramón Rodríguez Chacín, o escolhido do presidente Hugo Chávez para coordenar a missão. Segundo ele, a guerrilha ainda não apontou o local para o qual os helicópteros da Cruz Vermelha deverão ser enviados para receber os cativos.   Mais cedo, representantes dos governos colombiano e argentino deram declarações semelhantes. Eles alegaram problemas logísticos como o motivo para o cancelamento da operação, o que pode estar relacionado com a falta de informações sobre o local do resgate.   "O tempo não nos permite iniciar a operação e conclui-la hoje mesmo (domingo)", afirmou um funcionário do governo colombiano que está em Villavicencio, cidade que é base da operação. "O ex-ministro venezuelano Ramón Rodríguez Chacín ainda não chegou e, como ele não está aqui, não podemos iniciar a operação", explicou.   A Colômbia chegou a autorizar a entrada no país de um avião com o ex-ministro, desencadeando especulações de que Chacín já teria recebido as coordenadas. Além de descartar os boatos, o ex-ministro, que ainda está na Venezuela, disse na entrevista que irá embarcar para Villavicencio assim que receber a informação.   Desde a tarde de sexta-feira, 28, dois helicópteros venezuelanos com emblemas da Cruz Vermelha aguardam na cidade colombiana de Villavicencio pelas informações sobre o local em que os reféns serão libertados. Temendo que o Exército colombiano intervenha na operação, os guerrilheiros ficaram de informar o local do resgate diretamente a Chacín, que retransmitiria as coordenadas apenas aos pilotos dos aparelhos.   As Farc prometem entregar os três reféns ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que após semanas intermediando as negociações entre os guerrilheiros e Bogotá foi retirado das negociações pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Os três escolhidos são a deputada Consuelo González, seqüestrada em 2001; Clara Rojas, assessora da ex-candidata à vice-presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, ambas seqüestradas em 2002; e seu filho Emmanuel, nascido no cativeiro há três anos. Após batizá-la de Operação Transparência, Chávez decidiu chamar a missão de Emmanuel, em homenagem ao menino.   Além da coordenação da Venezuela, a operação está sendo acompanhada por delegados da Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, França e Suíça.   Acusações   Inicialmente, o governo venezuelano esperava a libertação dos reféns para a última quinta-feira, 27. Em entrevista concedida no sábado, Chávez culpou o Exército colombiano - que, segundo ele, seria pressionado pelos EUA - pelo atraso.   "Dentro e fora da Colômbia há os que apostam pelo fracasso da operação, como o governo dos Estados Unidos, que há muito tempo tem todo um aparelho tecnológico (...) que busca a desestabilização e a guerra. Eles não querem a paz nem se importam com a vida de ninguém", disse o presidente venezuelano.   Ele não descartou que se a demora continuar, a Operação Emmanuel poderá entrar em colapso: "Se (a entrega dos reféns) demorar três, quatro ou cinco dias, por razões de segurança, (ela) pode entrar em colapso, e nós teremos que pensar em alguma outra saída", disse no sábado, 29.

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