ENTREVISTA-Colômbia diz que guerrilha está fadada ao declínio

Antes poderosas, as guerrilhas marxistascolombianas estão fadadas à decadência depois da morte de seusprincipais líderes, disse à Reuters Francisco Santos, ovice-presidente colombiano, na quinta-feira. "Acho que a deterioração das Farc é irreversível, não temvolta", disse Santos em uma entrevista durante uma visita àRússia. "...Se não fossem os reféns que têm, eles nãoexistiriam como força (política)." O popular governo do presidente colombiano Alvaro Uribeacredita ter desarticulado as Farc, já que os guerrilheirosperderam três importantes comandantes neste ano, incluindo olendário líder Manuel Marulanda. Considerado um grupo terrorista traficante de cocaína pelosEstados Unidos e pela União Européia, as Farc ainda mantêmreféns na selva, incluindo a política franco-colombiana IngridBetancourt e três norte-americanos. Santos disse que o exército rebelde, que já teve mais de 17mil membros, não deve esperar grandes ofertas de anistia, poisas rejeitou durante os anos 1980 e 1990. "Hoje, anistias e perdões são absolutamente impossíveis,entre outros motivos porque... os crimes de guerra que elescometeram são imperdoáveis e têm jurisdição internacional",acrescentou o vice-presidente. Uribe, 55, recusou nesta semana descartar a possibilidadede ser presidente pela terceira vez consecutiva. O atualmandato acaba em 2010. Para que haja um terceiro mandato, seránecessário fazer uma emenda constitucional. Santos disse que os colombianos devem decidir em umreferendo se querem um terceiro mandato de Uribe. "Você não precisa ter medo das decisões de um povosoberano... os cidadãos darão a última palavra", explicou. Santos negou reportagens que disseram que sua viagem aMoscou tem o objetivo de pedir às autoridades que parem devender armas para a Venezuela, país com o qual Bogotá -- fortealiado dos Estados Unidos -- mantém tensas relações. O vice-presidente alegou que sua visita quer estreitar oslaços econômicos entre os dois países e, assim, levar maisinvestimentos para a Colômbia, a terceira nação mais populosada América Latina.

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