ENTREVISTA-Ex-presidente do Equador acusa Chávez por crise

"Golpe? Que golpe?", cutucou, indignado, Lucio Gutiérrez, ex-presidente e líder da oposição equatoriana, a quem o presidente Rafael Correa acusou nominalmente de instigar a violenta rebelião policial da semana passada no país, cujo objetivo, segundo Correa, era derrubar seu governo e assassiná-lo.

ENRIQUE ANDRÉS PRETEL, REUTERS

07 de outubro de 2010 | 19h19

Gutiérrez não só rejeitou as acusações, como apontou o próprio Correa e seu aliado Hugo Chávez, presidente da Venezuela, como responsáveis pela crise, na qual policiais amotinados mantiveram Correa retido num hospital durante horas, até que ele fosse resgatado por um comando militar.

"Aqui não houve nenhuma tentativa de golpe de Estado. É uma farsa, tudo é um show midiático de Rafael Correa", disse Gutiérrez à Reuters na noite de quarta-feira, logo depois de voltar do Brasil, onde foi observador eleitoral.

Na modesta sede do seu partido Sociedade Patriótica, segunda principal força política do país, dezenas de colaboradores e amigos se reuniram para manifestar apoio ao político de 53 anos, que foi um dos líderes de um golpe de Estado em 2000, e acabou sendo ele próprio derrubado por outra rebelião em 2005.

"O presidente não estava sequestrado. Recebia ordens de Hugo Chávez e acho que Hugo Chávez é quem, depois de conversar com Rafael Correa, lança a mentira do sequestro", acrescentou o político.

Correa ordenou que dezenas de policiais e políticos de oposição sejam investigados, inclusive Gutiérrez e seu irmão Gilmar, apontados pelo presidente como suspeitos de infiltrarem seguidores seus num protesto de policiais contra a redução de benefícios salariais.

"Não vou permitir ao presidente que tente abalar minha imagem em nível nacional e internacional, e vou processá-lo por dano moral irreparável", afirmou Gutiérrez.

Embora Correa tenha saído com a popularidade reforçada do incidente, os equatorianos estão divididos sobre se foi um golpe ou um mero protesto salarial. Oito pessoas morreram e quase 300 ficaram feridas.

Passada uma semana da rebelião, o país permanece em comoção com as imagens dos confrontos, que continuam sendo reprisadas e debatidas nos meios de comunicação. Essa foi a pior crise enfrentada pelo nacionalista Correa desde que chegou ao poder em 2007.

Para Gutiérrez, tudo isso é parte de uma estratégia de Correa para ocultar casos de corrupção e para acabar de vez com a oposição. "É um abuso de poder, aqui não há um governo democrático, e sim um governo autoritário", afirmou.

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