ENTREVISTA-Farc veem sucesso possível em processo de paz

O processo de paz entre o governo da Colômbia e a maior guerrilha do país tem grandes probabilidades de sucesso, disse na quinta-feira um líder rebelde que estará sentado a partir de outubro à mesa de negociações.

ROSA TANIA VALDÉS E NELSON ACOSTA, Reuters

13 de setembro de 2012 | 21h49

Jesús Carvajalino, conhecido com Andrés París, disse em entrevista à Reuters que, apesar dos grandes obstáculos pela frente, a guerrilha está "otimista".

O governo do presidente Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que travam uma insurgência há meio século, definiram uma agenda que inclui temas como o narcotráfico, desenvolvimento rural, garantias para o exercício da oposição política e direitos das vítimas, entre outros.

"Se compararmos os níveis de expectativas e de apoio que há atualmente sobre a mesa, são de 75 por cento; 80 por cento no fator popular, camadas médias, povo, intelectuais. Há 75 por cento de possibilidade de que cheguemos a um acordo", afirmou París.

"Mas essa probabilidade pode mudar se essas forças que se levantam contra o processo se impuserem", acrescentou o líder rebelde, que participou das frustradas negociações de 1999 e 2002.

Ele advertiu que, se o novo processo não der resultado, "esse conflito pode durar 50 anos mais". "Esse sentimento de que é preciso matar até o último guerrilheiro é que perpetuou o conflito."

As Farc completaram na quinta-feira sua equipe de negociação, que, além de París, estará composta por Iván Márquez, Ricardo Téllez, Marco León Calarcá e Simón Trinidad, todos veteranos líderes da insurgência.

Trinidad é um integrante especialmente polêmico, porque está cumprindo pena de 60 anos de prisão nos EUA.

Analistas dizem que desta vez as Farc têm mais interesse em concluir um acordo, por terem sofrido graves derrotas militares e deserções nos últimos anos. Mas París, que usava óculos e se vestia à paisana, qualificou de "invenção" a tese de que a guerrilha marxista está debilitada.

"Sempre haverá uma pessoa disposta a virar guerrilheiro para combater as injustiças sociais", afirmou ele.

Na semana passada, as Farc disseram que vão propor, assim que o diálogo começar, a instauração de um cessar-fogo bilateral, hipótese já descartada pelo governo. Segundo París, seria inútil declarar uma trégua unilateral, "porque eles vão continuar as ofensivas, e nossos combatentes terão que igualmente responder a esses ataques. Então o cessar-fogo é bilateral ou não é possível, é demagogia, é mentira."

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