ENTREVISTA-Lugo nunca pensou em renunciar, diz ministro

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, em momento algum cogitou renunciar ao cargo quando soube que tinha um linfoma maligno, e transmitiu serenidade a toda sua equipe assegurando que poderá superar a doença e governar ao mesmo tempo, disse o ministro das Comunicações nesta terça-feira.

DANIELA DESANTIS, REUTERS

10 de agosto de 2010 | 13h25

O ministro Augusto dos Santos, um dos homens mais próximos do presidente, assegurou que Lugo, que deve ser submetido a sessões de quimioterapia para combater a doença, vai poder cumprir seus compromissos apesar do tratamento.

"Desde o primeiro momento em que o diagnóstico foi feito e que se verificou que era uma doença que poderia ser compatibilizada com suas funções, o presidente não tem feito outra coisa senão olhar para frente", disse Dos Santos à Reuters.

"Ele disse: 'Posso fazer as coisas ao mesmo tempo -- derrotar a doença e governar'."

Dos Santos viaja nesta terça-feira com Lugo a São Paulo, onde o líder paraguaio fará exames para determinar a extensão do câncer e o tratamento mais adequado, embora seus médicos já tenham adiantado que, em princípio, ele deverá passar por quimioterapia durante cerca de cinco meses.

Especialistas independentes disseram que a quimioterapia pode enfraquecê-lo e afetar suas atividades, mas o ministro assegurou que o processo de mudanças iniciado por Lugo, que pôs fim a mais de seis décadas de governo de direito quando assumiu a presidência, em agosto de 2008, seguirá adiante.

"Estou otimista e acredito que isto não vai mudar o processo político, não vai mudar a gestão burocrática e servirá para unir os paraguaios ainda mais", disse o ministro, acrescentando que Lugo deu indicações para que os tratamentos sejam feitos nos finais de semana, para não afetar seu trabalho.

Ex-bispo católico de 59 anos de idade, Lugo completará esta semana seus dois primeiros anos na presidência de um dos países mais pobres da América do Sul, quarto maior exportador mundial de soja e importante fornecedor de carne bovina aos países da região.

Sua gestão foi marcada pelos escândalos de paternidade em que se viu envolvido depois de reconhecer um filho concebido quando ainda era sacerdote e por conflitos com o Congresso, dominado pela oposição, e com seu vice, Federico Franco, primeiro na linha de sucessão.

O presidente socialista, que levou adiante programas sociais de combate à pobreza e assumiu a luta contra a corrupção arraigada nas instituições estatais, enfrentou queixas também por problemas de segurança, a principal preocupação dos paraguaios.

Lugo retornará a Assunção na madrugada da quinta-feira e, após os exames médicos no Brasil, prevê cumprir sua agenda de trabalho.

"O presidente cumprirá uma agenda normal, e a agenda internacional também vai continuar normalmente. Não haverá nenhum tipo de adequação", assegurou Dos Santos.

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