ENTREVISTA-Novo governo mexicano quer dobrar gasto com segurança

O presidente eleito do México, Enrique Peña Nieto, vai tentar duplicar os gastos nacionais com segurança para combater a violência do narcotráfico e do crime organizado, mas também vai propor novas táticas aos EUA, disse um importante assessor dele em entrevista.

ANAHI RAMA E SIMON GARDNER, Reuters

04 de julho de 2012 | 09h32

Emilio Lozoya, cotado para ser chanceler, disse na terça-feira que o governo Peña Nieto vai tentar intensificar a repressão à lavagem de dinheiro, propor projetos binacionais de infraestrutura para gerar empregos, reduzir custos empresariais e aumentar a segurança.

"Hoje o México está investindo um pouco menos de 1 por cento do PIB (em segurança), o que é pouco e claramente não suficiente para confrontar esse problema", disse Lozoya à Reuters. "O investimento em segurança precisa ser no mínimo duplicado."

Ele afirmou que a ajuda financeira norte-americana, embora bem-vinda, é pequena em relação aos gastos mexicanos com segurança, especialmente "quando o consumidor final de narcóticos são os Estados Unidos".

Peña Nieto propõe dar ênfase a projetos na fronteira EUA-México --tais quais túneis ou recursos tecnológicos nas passagens fronteiriças-- que gerem empregos e promovam o desenvolvimento econômico ao mesmo tempo em que reforcem a segurança, disse Lozoya.

Ele disse que também há espaço para a cooperação no combate à lavagem de dinheiro, e que os EUA poderiam ajudar o México coibindo o tráfico de armas automáticas para o território mexicano.

"Há muito que se pode fazer para combater a lavagem de dinheiro em particular", disse Lozoya. "Não estamos obtendo os resultados que queremos... Os Estados Unidos podem fazer um esforço adicional para reduzir o fluxo de armas de lá para o México."

Durante a campanha, Peña Nieto prometeu criar uma nova força policial para o combate a traficantes, composta por ex-militares, mas disse que reduzir a violência seria mais importante que prender traficantes.

Cerca de 55 mil pessoas foram mortas em incidentes ligados ao tráfico desde que o presidente Felipe Calderón tomou posse, no final de 2006, e mobilizou o Exército para enfrentar os cartéis.

Antes da sua vitória eleitoral de domingo, Peña Nieto havia dito também que pretendia nomear como assessor de segurança o ex-general colombiano Oscar Naranjo, conhecido pela eficácia em lidar com traficantes e guerrilheiros em seu país.

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