ENTREVISTA-Oviedo volta a sonhar com Presidência do Paraguai

O ex-general Lino César Oviedo,condenado por sua participação em uma tentativa de golpe eagora candidato à Presidência de seu país, insiste que não éuma ameaça à democracia paraguaia, uma das mais frágeis daAmérica do Sul. Oviedo, um carismático político de centro-direita, popularentre os pobres das cidades, anunciou sua candidatura emoutubro, depois que a Suprema Corte anulou uma pena de dez anosde prisão que ele cumpria por tentar derrubar o presidente JuanCarlos Wasmosy, em 1996. "Lino Oviedo não tem a menor intenção de perturbar ademocracia do Paraguai", disse ele à Reuters em sua casa, emAssunção, vestindo uma camisa com bordados típicos. As promessas de privatizar empresas e combater a corrupçãogarantem a Oviedo entre 12 e 20 por cento das intenções devoto, segundo as pesquisas. O líder é o ex-bispo Fernando Lugo.A eleição será em abril. A candidatura de Oviedo divide a oposição, que tentaencerrar a longa hegemonia do partido Colorado, no governo doParaguai desde 1947 (inclusive durante os 35 anos da brutalditadura de Alfredo Stroessner). Lugo, que tem forte apoio de líderes sindicais ecamponeses, mas enfrenta a antipatia de empresários e da elitepolítica por causa do seu suposto viés esquerdista, luta paraunir a oposição em torno da sua candidatura. Durante a entrevista na quarta-feira, Oviedo criticou Lugopor defender uma maior participação estatal na economia. "Há os que visam a criar um sistema ditatorial chamadosocialismo de Estado. Para mim, esse é o pior tipo de ditadura.Você sabe perfeitamente a quem estou me referindo", afirmou,numa referência mal disfarçada ao venezuelano Hugo Chávez. "Não vou entrar em reformar a Constituição para ser eleitoe reeleito indefinidamente (como propõe Chávez na Venezuela)." Oviedo, que costuma fazer seus discursos no idioma guarani,é candidato pela segunda vez, sempre com o discurso de que umex-general teria o pulso firme de que o Paraguai precisa. Há dez anos, sua candidatura, pelo Partido Colorado, foicassada devido a uma sentença de prisão contra ele. Um aliadovenceu a eleição e acabou libertando-o. Em 1999, acusado de ter mandado matar o vice-presidenteLuis Argaña, Oviedo fugiu para a Argentina. O crime provocoumanifestações populares com violência, que dias depois levaramà renúncia do presidente Raúl Cubas. Oviedo foi libertado da prisão em setembro, após cumprir umpouco mais de metade da sua pena de dez anos. Apesar das recentes turbulências políticas no país, Oviedose diz um defensor das urnas. "Hoje a democracia é o únicocaminho", disse.

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