ENTREVISTA-Presidente da Colômbia diz que reeleição manterá processo de paz

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que uma derrota sua nas eleições deste mês poderia pôr em perigo as negociações de paz com a guerrilha e prolongar o violento conflito interno que já dura meio século.

LUIS JAIME ACOSTA E HELEN MUR, Reuters

07 Maio 2014 | 11h16

Santos, um economista de centro-direita que deu início ao primeiro diálogo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em mais de uma década, busca a reeleição e, embora seja o candidato favorito, corre o risco de disputar o segundo turno com rivais como Oscar Zuluaga, um crítico às negociações com os rebeldes que vêm sendo realizadas em Cuba.

"A verdade é que não gostaria que fosse assim, mas com outras pessoas este processo de paz não teria o mesmo futuro. Há candidatos que abertamente vêm dizendo que romperiam o processo", disse Santos em entrevista à Reuters na terça-feira, na cidade de Villavicencio, na zona central do país.

"Muita gente me disse: ‘você tem que ser presidente porque senão tudo isso que temos construído e a possibilidade de paz vão desmoronar", disse o mandatário.

Zuluaga, ex-ministro da Fazenda direitista aliado ao ex-presidente Alvaro Uribe, tem dito que a menos que as Farc declarem uma trégua unilateral, as negociações seriam suspensas com o grupo rebelde caso cheguem ao poder. Até agora a guerrilha tem se posicionado contra a trégua unilateral.

"No fundo, está se decidindo entre a guerra e a paz", afirmou Santos, de 62 anos, antes de reunir-se com seguidores na principal praça da cidade.

A maioria dos colombianos apoia os esforços para acabar com um conflito que já cobrou mais de 200 mil vidas, embora muitos ainda duvidem da vontade da guerrilha de alcançar a paz, e há quem se oponha que os líderes rebeldes possam virar congressistas sem cumprirem pesadas sentenças.

Santos tem obtido apoio por manter o crescimento da economia e atrair investimento estrangeiro. Ele fez do processo de paz sua principal bandeira eleitoral.

Mas depois de quase um ano e meio de negociações em Havana, o governo colombiano e a guerrilha não obtiveram muitos avanços, apenas acordos parciais em dois dos cinco pontos levados à mesa, ao passo que ainda existem confrontos armados na selva colombiana.

As eleições na Colômbia serão realizadas em 25 de maio, e o vencedor tem que obter mais de 50 por cento dos votos para evitar um segundo turno em 15 de junho, algo que não parece muito provável nas pesquisas.

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