ENTREVISTA-Venezuela vê fragilidade em relações com Colômbia

A Venezuela afirmou no domingo que, nãoobstante ter decidido normalizar imediatamente suas relaçõesdiplomáticas com a Colômbia, ainda havia feridas a seremsanadas antes de os dois países conseguirem atingir um nívelmelhor de interação. O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os laçosentre as duas nações vizinhas necessitam de uma etapa marcadapor uma vontade política para retomá-los depois de terempassado por seu pior momento na semana passada, no início deuma crise envolvendo vários países andinos. "Tomara passemos por uma etapa na qual teremos de ser muitovigilantes e cuidadosos, para que a recuperação das relaçõespolíticas supere a fragilidade com que se iniciou", afirmou odiplomata em uma entrevista concedida à Reuters. A exacerbação dos atritos começou na semana retrasada,pouco depois de forças militares da Colômbia terem bombardeadoum acampamento de guerrilheiros colombianos situado no Equador,o que fez estourar uma crise entre os países andinosresponsável por levar o governo venezuelano a expulsar a missãodiplomática colombiana e retirar sua missão do país vizinho. No entanto, pouco depois da cúpula do Grupo do Riorealizada na República Dominicana, na qual foram seladosacordos para diminuir as tensões, a Venezuela decidiu nodomingo "restabelecer o funcionamento normal de suas relaçõesdiplomáticas com o governo da República da Colômbia". Maduro afirmou que seu país escolherá, nas "próximashoras", um novo embaixador para enviar ao território colombianono lugar de Pavel Rondón. No entanto, disse não saber se ogoverno colombiano manterá ou mudará o seu embaixador naVenezuela. A Venezuela prometeu enviar imediatamente a Bogotá o corpodiplomático que a representa junto ao governo colombiano emanifestou sua "disposição inconteste" para receber, o quantoantes, o corpo diplomático da Colômbia. "O presidente (Hugo Chávez) decidiu normalizar tudo o quediz respeito às relações de caráter econômico, comercial",afirmou Maduro, acrescentando que algumas ameaças às trocascomerciais surgidas durante o conflito deveriam serinterpretadas tendo-se em vista aquele cenário e não o atual. Chávez anunciou no sábado a retirada dos batalhões deque estacionou na fronteira com a Colômbia. A retiradaocorreria logo depois do fim do conflito diplomático, nasexta-feira. AMEAÇA DE UM CONFLITO ARMADO? Segundo Maduro, o futuro das relações entre os dois países,bem como entre os países da região, dependerá em grande partedo "estrito cumprimento" da declaração do Grupo do Rio, querechaçou a violação da soberania do Equador e chancelou ocompromisso da Colômbia de não repetir uma ação do tipo. Questionado sobre se a Venezuela ajudará a restaurar oslaços diplomáticos entre os governos equatoriano e colombiano,o chanceler respondeu: "Nós acreditamos que os países, cada umdeles, possuem a capacidade para resolver sobre suas relações". No entanto, acrescentou: "Nós vamos trabalhar para que asrelações entre os países da América do Sul avancem rumo aoprocesso de unificação, rumo ao processo de conformação daUnião das Nações Sul-Americanas". O presidente do Equador, Rafael Correa, disse após a cúpulaque a Colômbia deve empenhar-se mais para que seus vizinhos nãosejam afetados por seu conflito interno e que não estava emcondições, ainda, de restabelecer as relações com o governocolombiano. De toda forma, Maduro repetiu que os EUA estavam por detrásda crise e que a região tem a capacidade de resolver seuspróprios problemas, afastando a possibilidade de que asdiferenças ideológicas existentes entre os governoslatino-americanos poderiam levar a um conflito armado. "Houve uma mudança muito importante na correlação de forçaspolíticas no continente e essa mudança garante hoje aexistência de uma América Latina viva, democrática, soberana,capacitada para resolver seus próprios conflitos", disseMaduro, que comparou a cúpula de Santo Domingo a uma edição daCopa do Mundo devido à atenção que despertou. O diplomata afirmou ainda que o governo norte-americanosaía como o "grande perdedor" da crise, porque não houvenenhum choque violento na região, observando, no entanto, queos EUA "chegaram perto de realizar seu objetivo de que nossospaíses embarcassem em uma confrontação armada". "O governo dos EUA fixou para si o seguinte objetivo:deixar a região desestabilizada e legar ao próximo governo queingressará na Casa Branca uma situação de violência de fato naregião", disse. Ao ser questionado sobre como atuaria o governo dopresidente Chávez se fossem detectados acampamentos deguerrilheiros na Venezuela, Maduro respondeu que haveria uma"resposta legal, policial e militar". E afirmou que sempre foram feitos pedidos à Colômbia paraque, se esse país tivesse provas sobre fatos do tipo, asenviasse permitindo às forças venezuelanas entrarem em ação.

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