Enviado da OEA alerta para risco de violência na Bolívia

Um enviado especial da Organização dosEstados Americanos advertiu na terça-feira que a crise políticada Bolívia pode resultar em um confronto violento se não houverum diálogo imediato entre o governo e a oposição conservadora. O ex-chanceler argentino Dante Caputo, subsecretário deAssuntos Políticos da OEA, fez essa declaração uma semanadepois de a Igreja Católica, que se oferece como mediadora,afirmar que a polarização pode provocar "dor e morte". No próximo dia 4, a oposição pretende organizar umreferendo sobre a autonomia da relativamente próspera região deSanta Cruz (leste), em protesto contra a nova Constituiçãopromovida pelo governo de Evo Morales. Outras três provínciasgovernadas pela oposição também devem realizar referendossemelhantes. "Sem ser alarmista [...], considero que a situação que aBolívia vive é preocupante", disse Caputo em entrevistacoletiva depois de ser recebido por Morales. Na véspera, eleestivera com os governadores oposicionistas. "Se os diferentes atores que estão envolvidos nestacontrovérsia não fizerem um grande esforço, corremos o risco deque a tensão mude de natureza, que já não seja controvérsia,seja enfrentamento", disse o enviado da OEA, em sua segundavisita à Bolívia em duas semanas. Caputo acrescentou que a OEA poderia fazer nos próximosdias propostas concretas para uma resolução da crise. A UniãoEuropéia e vários países manifestaram preocupação no últimomês, e Brasil e Argentina, que dependem do gás boliviano,chegaram inclusive a enviar seus chanceleres para buscar umaaproximação entre o governo e a oposição. Morales descartou convocar estado de sítio ou mobilizar asForças Armadas para impedir os referendos autonomistas, que sãoproibidos. O presidente qualificou as votações como "simplespesquisas milionárias de opinião", sem validade jurídica. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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