Equador aponta manipulação em vídeo que liga Correa às Farc

Jornalistas colombianos e chanceler indicam contradições; presidente é acusado de ter recebido dinheiro

Efe,

27 de julho de 2009 | 16h28

O governo do Equador divulgou nesta segunda-feira, 27, pela televisão, uma reportagem que mostra que as autoridades da Colômbia supostamente manipularam o vídeo no qual um líder guerrilheiro diz que as Força Armadas Revolucionários da Colômbia (Farc) financiaram a campanha do presidente Rafael Correa. A reportagem, na qual há testemunhos de jornalistas colombianos e do chanceler equatoriano, Fander Falconí, afirma que o governo recebeu "o vídeo na íntegra" da Organização dos Estados Americanos (OEA) e que o Executivo "vai apresentar à opinião pública todo o conteúdo."

 

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No vídeo, que foi entregue pelo governo colombiano à OEA, Victor Julio Suárez Rojas, conhecido como "Jorge Briceño Suárez" ou "Mono Jojoy", líder das Farc, menciona uma "ajuda em dólares" à campanha eleitoral de Correa, em aparente referência à de 2006. "Ajuda em dólares à campanha de Correa e posteriores conversas com seus emissários, incluindo alguns acordos, segundo documentos em poder de todos nós, (...) são muito comprometedores em nossas ligações com os amigos", assegura "Mono Jojoy", no meio da selva, segundo o vídeo.

 

A reportagem equatoriana mostra "pequenos detalhes", como o fato de que, no vídeo, "Mono Jojoy" aparece com um lenço e "imediatamente depois" sem ele, ou a sucessão de planos nos quais aparece iluminado e mais tarde com uma sombra sobre seu rosto, o que assegura que a manipulação é "óbvia". Também menciona o fato de que "segundo fontes colombianas, o vídeo foi gravado um dia depois da morte do conhecido como 'Tirofijo', número um das Farc, no dia 26 de março de 2008, época na qual, 'Mono Jojoy' esteve à beira de a morte."

 

"Agora, de repente, nessa mesma época, apresenta boa saúde", acrescenta o jornalista governamental. Por outro lado, outras frases pronunciadas por "Mono Jojoy" são mencionadas no vídeo e "não promovidas pela Colômbia", como quando diz que os computadores apreendidos em um acampamento das Farc atacado no Equador foram tomados "como troféus de guerra e fabricação de provas contra os governos de (Hugo) Chávez, de Correa, e de (Daniel) Ortega."

 

"A informação é em grande parte manipulada pela inteligência militar para justificar ações contra cidadãos, que, em muitos dos casos, nada têm a ver com a guerrilha", acrescentou o líder das Farc, no vídeo questionado pelo governo equatoriano.

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