Equador cobra posição da OEA contra a Colômbia

Presidente Correa frustra diplomacia brasileira e mantém tom agressivo após encontro com Lula

Leonencio Nossa e Leonardo Goy, de O Estado de S. Paulo,

05 de março de 2008 | 12h01

Após o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, 5, o presidente do Equador, Rafael Correa, voltou a exigir uma posição firme das organizações internacionais, principalmente da Organização dos Estados Americanos (OEA), com relação ao episódio em que tropas colombianas entraram em território equatoriano para perseguir membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A entidade se reúne no início desta tarde para tentar solucionar o impasse sobre o consenso para uma resolução sobre a crise entre Equador e Colômbia.   Colômbia exibe imagens da incursão militar  Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc  Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região   Correa diz que irá 'até as últimas conseqüências por soberania' 'É possível que as Farc se desarticulem'   Ouça relato de Expedito Filho, enviado especial ao Equador      Mantendo o discurso duro, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse que o governo da Colômbia "perdeu até a vergonha". O tom de Correa frustrou a expectativa dos diplomatas brasileiros de que o presidente equatoriano abrandaria o discurso após a conversa com Lula.   Correa afirmou que o governo colombiano de Álvaro Uribe "quer a guerra, não quer a paz" e que o território equatoriano foi bombardeado e agredido. Ele disse ainda a Colômbia deveria admitir que houve abuso de poder ao invés de pedir desculpas pela operação do Exército no Equador, em que o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, foi morto com outros 16 guerrilheiros.   Ao lado do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Correa disse confiar e acreditar nas organizações internacionais e na comunidade latino-americana. "É o momento das instâncias internacionais se posicionarem eficientemente, em função de princípios e não de pressão. Exigimos que a OEA se posicione de forma rápida e ratifique a inviolabilidade dos territórios internacionais", disse.   Correa aproveitou para voltar a criticar o governo colombiano. "Não é porque somos um país pequeno que aceitaremos ser ultrajados", afirmou. "Não permitiremos o desrespeito a nossa soberania e vamos até as últimas conseqüências. Somos sensíveis, mas soberanos", acrescentou.   Segundo Correa, essa ponderação tem de vir para ser um precedente para que nunca mais se aceite algo deste tipo na América Latina. Correa prosseguiu afirmando que se for aceita a lógica do governo Álvaro Uribe, outros países da região poderiam atacar a Colômbia para combater a guerrilha. "Se as Farc forem um perigo para a região, como manifestou Uribe, maravilhoso. Aceitamos e todos os outros estão livres para bombardearmos quando quisermos o solo colombiano", afirmou. "Se acreditarmos que os guerrilheiros das FARC estão em um hotel em Bogotá, podemos bombardear também."   Correa indagou, aos jornalistas que acompanhavam o discurso, o que aconteceria se o Brasil fosse bombardeado e não o Equador. "Por acaso, já estaríamos em guerra?". O presidente do Equador disse que acredita na união da comunidade latino-americano e que confia ou "quer confiar" nas organizações internacionais.   Ao finalizar seu discurso, Correa agradeceu "profundamente" ao governo brasileiro e ao presidente e amigo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Sem meias palavras, (o Brasil) tem sabido condenar de forma frontal e direta a agressão à soberania de um país", disse. O encontro entre Lula e Correa começou às 10h30 e pelas estimativas iniciais deveria terminar por volta de 13 horas, conforme avaliação de diplomatas, mas terminou antes.

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