Equador condena de forma 'contundente' a Colômbia, diz Correa

Presidente afirma que história ainda não terminou e que seu governo saberá responder a altura, se for preciso

Efe,

06 de março de 2008 | 04h50

O presidente equatoriano, Rafael Correa, afirmou nesta quarta-feira, 5, que seu Governo "não vai ficar tranqüilo" até que a comunidade internacional "condene" de forma "contundente" a Colômbia por ter "violado a soberania" de seu país.  Veja também:Uribe promete não repetir ação como a que matou Raúl ReyesLula classifica de madura decisão da OEA sobre conflito regionalResolução diz que Colômbia violou soberania do EquadorColômbia exibe imagens da incursão militar  Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região  'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA  Correa expressou, após uma reunião com seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, satisfação pela resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acusou uma "violação" ao território equatoriano, mas alertou que a história ainda "não terminou". "Estamos esgotando todas as instâncias diplomáticas para que se condene o agressor (Colômbia), mas se essa comunidade internacional não condenar sem questionamentos, sem panos quentes (...) o agressor, o Equador saberá responder ao agressor seu ultraje", declarou Correa, que está em Caracas. O presidente equatoriano, que chegou esta noite à Venezuela como parte de uma viagem regional para explicar sua posição na crise com a Colômbia, reiterou que Quito quer a "paz", mas está disposto a chegar até as "últimas conseqüências" para defender a soberania nacional. Correa afirmou que uma das coisas que mudaram a partir de sua decisão de "romper relações" diplomáticas com Bogotá é que seu Governo considerará um "ato de guerra" um eventual vôo colombiano de fumigações antidrogas em seu lado da fronteira. Sobre a resolução emitida nesta quarta-feira pelo Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), Correa disse estar "satisfeito" e "contente", porque é um "passo importante" em direção à resolução pacífica do conflito. O Conselho Permanente da OEA aprovou por unanimidade uma resolução pactuada por Equador e Colômbia, que estabelece que o Governo colombiano violou a soberania e a integridade territorial equatoriana com a incursão militar no sábado, assim como os princípios do direito internacional. A crise entre os dois países, que também repercutiu na Venezuela, começou com uma ação de militares colombianos contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na qual morreram o rebelde "Raúl Reyes", considerado o número dois da guerrilha, e cerca de 20 guerrilheiros. "A OEA reconhece que não temos nada a ver com as Farc", afirmou Correa. O Governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse ter provas de supostas ligações entre os Governos do Equador e Venezuela com a guerrilha das Farc, o que esses dois países rejeitaram. Correa disse que essas denúncias, com as quais o Governo da Colômbia tenta "passar de acusado a acusador (...), não justificam a agressão" ao território equatoriano. O chefe de Estado acrescentou que essas denúncias colombianas demonstram a "desfaçatez, a insolência do Governo de Uribe, que não conhece o que é a decência, a fraternidade". Correa afirmou que assim como Bogotá "acusa" seu Governo de "deixar as Farc entrarem" no Equador, Quito poderia assinalar que a Colômbia "deixa a guerrilha sair" de seu território. "A estratégia de Uribe é pressionar pelo norte (colombiano), mas deixa desprotegidas as fronteiras", disse o governante equatoriano, que acusou o presidente colombiano de fazer negócio com a guerra. Correa também deu as "boas-vindas" à decisão da OEA de criar uma comissão que será liderada pelo secretário-geral do organismo, José Miguel Insulza, para que investigue o local onde ocorreu o ataque. Mas alertou que o Equador "não vai ficar tranqüilo até obter (...) a condenação contundente ao agressor", em referência à Colômbia, que "rasgou em pedaços a Carta Interamericana Democrática" da OEA.

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