Equador critica 'prática política condenável' do Brasil

Quito responde declaração de Amorim, de que vizinho deu 'tiro no pé' ao levar dívida com BNDES à arbitragem

Agência Estado e Associated Press,

10 de dezembro de 2008 | 14h44

O Equador qualificou nesta quarta-feira, 10, como "uma prática política condenável" as críticas do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, à decisão de Quito de submeter à arbitragem internacional um crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Amorim afirmou na terça-feira que "o Equador deu um tiro no pé" ao decidir levar uma dívida com o BNDES à arbitragem. O ministro apontou que o Brasil "é uma das poucas fontes de crédito de que o país dispõe". "Se um país condiciona as fontes de financiamento a que o Estado equatoriano não tenha direito de reclamar seus interesses não nos interessa esse financiamento, isso é óbvio, é uma prática política condenável", disse o ministro Coordenador de Segurança Interna e Externa do Equador, Gustavo Larrea, à emissora Teleamazonas. "Acredito que Celso (Amorim) se equivoca, o que fez o Equador é ir a uma arbitragem, com pleno direito, igual a uma companhia brasileira levou o Equador a uma arbitragem", afirmou, referindo-se ao fato de a Petrobras contestar um contrato petrolífero. "O Equador nem fez um protesto diplomático nem usou sua divergência em matéria econômica como um fato político." "Lamento que (Amorim) tenha esse tipo de expressões", disse Larrea. "Serão os árbitros franceses os que determinarão se efetivamente o Equador tem ou não razão, é uma medida absolutamente legal", apontou. O ministro lembrou ainda que o país continua pagando a dívida durante o processo. A divergência ocorre pela decisão de Quito, tomada em novembro, de enviar à Corte Internacional de Arbitragem, sediada em Paris, um contrato de crédito de US$ 242,9 milhões outorgado pelo BNDES. O dinheiro foi usado na construção da usina hidrelétrica San Francisco, pela construtora brasileira Odebrecht. A obra apresentou sérios problemas depois de inaugurada e hidrelétrica chegou a ser paralisada para reparos. O fato levou o presidente do Equador, Rafael Correa, a expulsar a empresa do país, acusando-a inclusive de corrupção. A Odebrecht já negou qualquer irregularidade no caso.

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