Equador declara moratória de outra parte da dívida externa

Ministra diz que país não pagará cupom de US$ 31 mi de bônus Global 2015; Correa promete reestruturação

AP e Reuters,

15 de dezembro de 2008 | 16h55

O Equador não pagará o cupom de US$ 31 milhões de seu bônus Global 2015, informou a ministra das Finanças, Elsa Viteri, nesta segunda-feira, 15. "Os bônus Global 2015 venceriam e declaramos moratória técnica", afirmou Viteri. Na sexta, o presidente Rafael Correa havia declarado moratória do cupom de US$ 30,6 milhões do bônus Global 2012, que vencem nesta segunda.  Veja também:Possíveis consequências da moratória do Equador Ministra das Relações Exteriores do Equador renuncia Equador critica 'prática política condenável' do BrasilPaíses sul-americanos devem ao BNDES US$ 1,6 bilhão Os Bônus Global equatorianos somam um total de US$ 3,8 bilhões. O presidente disse ainda que está disposto a apresentar um plano de reestruturação aos credores do país, pois "nem todos os pedaços da dívida são ilegais". O plano buscará uma redução do montante que esses papéis representam nominalmente e abrirá opções para que os credores possam recuperá-los.  Correa assegurou que assumirá "todas as responsabilidades que essa decisão implica", em uma evidente alusão às ações legais que os credores decidam tomar. "Seguimos estudando com advogados nacionais e internacionais as estratégias jurídicas para impugnar uma dívida ilegal e ilegítima", acrescentou, referindo-se ao débito do país, estimado em US$ 10 bilhões.  O Equador já declarou moratória em 1999, durante a pior crise bancária da sua história, o que levou o país a dolarizar sua economia em 2000. O país decidiu em novembro manter-se em um período de carência antes de pagar o vencimento dos Bônus Global 2012, a espera do relatório da auditoria que investigou os processos de endividamento do país nos últimos 30 anos.  As autoridades equatorianas estão conscientes de que as medidas tomadas por Correa, que será candidato a um novo mandato em abril, poderão gerar reações negativas na economia local, e, por isso, estão anunciando fontes alternativas de financiamento, vindas de novos sócios comerciais como Irã, Rússia, China e Venezuela.  O Equador, porém, não descarta interromper o pagamento da dívida que possui com organizações multilaterais e outros países, mas continuará cumprindo essas obrigações por enquanto, afirmou o ministro da Política, Ricardo Patiño. "Esta é uma decisão a ser tomada" no futuro, disse Patiño depois de reuniões nas Nações Unidas na sexta-feira.

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