Equador diz não estar pronto para reatar laços com Colômbia

O Equador seguirá seu próprio ritmo pararestabelecer relações diplomáticas com a Colômbia, apesar de osdois países terem solucionado a crise envolvendo um ataque doExército colombiano contra guerrilheiros em territórioequatoriano, disse o presidente Rafael Correa no sábado. Governantes aliados de esquerda do Equador, Nicarágua eVenezuela romperam relações com a Colômbia e condenaram a ação,que matou mais de 20 guerrilheiros, entre eles o número 2 dasForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Equador eVenezuela também decidiram enviar tropas para suas fronteiras. "Nós conversaremos a respeito de reatar as relaçõesdiplomáticas. Nós faremos um calendário. Isso levará algumtempo", disse o presidente do Equador em seu pronunciamentosemanal de rádio neste sábado. A Nicarágua e a Venezuela anunciaram que restabeleceriam oslaços com a Colômbia durante uma cúpula do Grupo do Rio nasexta-feira, que se encerrou com um aperto de mão entre líderesque haviam se atacado mutuamente durante toda a semana. Foi apior crise diplomática na América Latina em anos. O conflito opôs a Colômbia, apoiada pelos EUA e que lutacontra uma insurgência de rebeldes marxistas há quatro décadas,a líderes de esquerda na região. O presidente Hugo Chávez, daVenezuela e que se opõe fortemente ao governo dos EUA lideradopor George W. Bush, liderou o coro contra a Colômbia. Equador e Venezuela disseram que a Colômbia deverianegociar com as Farc para buscar a paz. Mas o presidente colombiano, Álvaro Uribe, é popular em seupaís justamente por sua abordagem linha-dura com a guerrilha,que matou e sequestrou milhares de pessoas. O ataque de 1o de março que matou o líder das Farc RaúlReyes representou um duro golpe contra a insurgência, e aColômbia alega ter encontrado dados em computadores que afirmaprovarem que a Venezuela e o Equador auxiliava osguerrilheiros. Analistas dizem que, apesar de Uribe parecer isolado diantedos demais líderes da América Latina, os arquivos de computadorsão um importante trunfo do presidente colombiano contra osrebeldes e os vizinhos Equador e Venezuela. Uribe desculpou-se com o Equador e disse que não repetiráoperações além de suas fronteiras no futuro, mas pediu maiscooperação de seus vizinhos na luta contra a guerrilha. Correa disse que coordenará com seu aliado Chávez o reenviode embaixadores de seus países a Bogotá. Mas a Venezuela manteve um restrito comércio com a Colômbiadurante a semana através de sua longa fronteira. No sábado, otráfego de caminhões entre os dois países retornava ao normalnas cidades fronteiriças venezuelanas que dependem de alimentoe combustível da Colômbia. O comércio entre Colômbia eVenezuela movimentou 6 bilhões de dólares no ano passado. "A situação está voltando ao normal na fronteira. Asrelações comerciais e de abastecimento de combustível estão senormalizando", disse o ministro do Interior da Venezuela, RamónRodríguez, a jornalistas no sábado. (Por Alexandra Valencia, em Quito, e Deisy Buitrago, emCaracas)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.