Equador diz que analisará dívida externa com cuidado

Rafael Correa ameaça não pagar dívida contraída com o BNDES para pagar hidrelétrica da Odebrecht

REUTERS

24 de novembro de 2008 | 12h32

O presidente do Equador, Rafael Correa, se comprometeu a agir com responsabilidade em sua iniciativa contra a dívida "ilegal" que seu governo ameaça não pagar. "Não vamos dar um salto no vazio, devemos ser sensatos", disse Correa, durante seu programa semanal de rádio no fim de semana. "Vamos buscar todos os mecanismos para repudiar esta dívida ilegítima e corrupta". Na semana passada, uma comissão de auditoria do governo afirmou que a maior parte da dívida externa do país, de US$ 10 bilhões de dólares, havia sido contraída ilegalmente por membros de governos passados confabulados com detentores de bônus ou pressionados por poderosos grupos multilaterais.     Entre elas está uma dívida de US$ 460 milhões com o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) feita para pagar uma hidrelétrica construída pela Odebrecht que apresentou problemas. Na semana passada, o Brasil convocou seu embaixador em Quito após Correa anunciar que irá recorrer judicialmente para não pagar o banco.   Ainda assim, o Equador ainda não interrompeu o pagamento do empréstimo. Alguns analistas dizem que as ameaças de Correa são uma estratégia para obrigar os proprietários de bônus a renegociarem os títulos soberanos do país. No passado, Correa já moderou o tom de seu discurso em temas importantes para sair fortalecido em sua agressiva estratégia de negociação para conseguir mais benefícios junto a investidores estrangeiros. De acordo com analistas, Correa poderá optar por impulsionar as demandas internacionais enquanto continua pagando a dívida "ilegal" para evitar o fim de fontes-chave de financiamento, enquanto o país enfrenta o aumento da crise global.

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