Equador e Bolívia pedem a indígenas que evitem extremismo

Os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia, Evo Morales, pediram nesta sexta-feira a movimentos indígenas que evitem extremismos de esquerda que terminem afetando políticas de seus governos, como aconteceu recentemente com um protesto de nativos equatorianos.

REUTERS

16 de outubro de 2009 | 21h26

Em uma cúpula de movimentos sociais, paralela à reunião semestral do grupo regional Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), ambos os líderes de esquerda também pediram paciência para a concretização de seus projetos contra a pobreza.

"Cuidado, porque muitas vezes por orgulho chegamos a extremos de contradição que tornam nossos projetos inviáveis", disse Correa a representantes de movimentos indígenas de Bolívia, Equador e Venezuela e organizações sociais de outros países.

"Esses extremos, esses infantilismos, são o maior perigo a nossos projetos porque a princípio falam de acordo aos mesmos princípios (...), mas em extremos que são indesejáveis", acrescentou o governante, que enfrentou um protesto dos nativos no começo de outubro.

O movimento indígena do Equador paralisou por uma semana as vias de acesso a instalações petrolíferas e mineiras em protesto contra uma reforma na lei de mineração e mudanças em um projeto para regular o uso da água.

As manifestações, que afetaram a atividade econômica da nação produtora de petróleo, deixaram um morto e cerca de 40 policiais feridos na região amazônica e foram suspensas por um acordo negociado com o próprio Correa, que se comprometeu a revisar as medidas rejeitadas pelos indígenas.

"Exigem de nós mais e mais diante dessa falta de paciência, muitas vezes é feito o jogo da direita", disse o presidente do Equador frente a centenas de indígenas que mascavam coca durante a cerimônia.

Morales, em meio a pedidos dos assessores de seguir com a "revolução" e lutar contra o "imperialismo", disse que seu governo buscaria acelerar as mudanças para combater a pobreza e deixar para trás os anos de exploração dos indígenas.

"Nem sempre é fácil resolver todas as demandas", afirmou Morales, que tenta a reeleição em dezembro.

(Reportagem de Teresa Céspedes)

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