Equador e Colômbia têm novos atritos na fronteira

A crise diplomática entre Equador eColômbia se agravou na segunda-feira, depois que o governoequatoriano anunciou ter iniciado um processo no TribunalInternacional de Haia por causa da fumigação da fronteira comumcontra os cultivos de coca, enquanto as autoridades colombianasacusaram o país vizinho de violar seu espaço aéreo. Os dois países mergulharam numa grave crise neste mês porcausa de uma ação militar colombiana contra um acampamento daguerrilha Farc em território equatoriano. O Equador e aVenezuela, sua aliada, chegaram a enviar tropas às fronteirascom a Colômbia, mas a tensão se dissipou dias depois comapertos de mãos numa cúpula na República Dominicana. Agora, o Equador busca indenizações pelas fumigaçõesrealizadas até um ano atrás pela Colômbia na região dafronteira, como parte de sua política antidrogas. "As aspersões levadas a cabo pela Colômbia constituem umagrave violação da soberania do Equador e dos princípios maisbásicos do direito internacional", disse a chanceler MaríaIsabel Salvador, em nota à imprensa. A Colômbia destacou que um helicóptero militar equatorianoviolou no domingo seu espaço aéreo e que, apesar de suainterceptado pela aviação colombiana, não deu nenhumaexplicação para a invasão. O helicóptero teria regressado emseguida para o Equador, que não se pronunciou. Segundoautoridades da Colômbia, a bordo estavam dois pilotos e doispassageiros fardados. "Uma vez no ar, o helicóptero equatoriano, escoltado pordois helicópteros colombianos, desceu surpreendentemente eempreendeu vôo rasante, rumo ao sul", disse um comunicadocolombiano. O processo em Haia reaviva um velho conflito sobre assupostas seqüelas que os produtos químicos usados no combate àcoca provocam nos moradores da região fronteiriça. Os dois países haviam definido a suspensão dessasfumigações aéreas numa faixa de 10 quilômetros a partir dafronteira, onde seriam substituídas por fumigações manuais. Maso Equador sempre insistiu no caráter nocivo dos produtos paraos moradores e seus cultivos. "Por não restar outro recurso, e depois de sete anos deesforços diplomáticos infrutíferos e frustrantes, o Equadorapresentou uma demanda perante a Corte Internacional deJustiça", disse a chanceler equatoriana, sem citar prazos parauma sentença.

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