Equador é santuário das Farc, diz ex-guerrilheiro ao 'El País'

Ex-rebelde conta que grupo atua tranqüilamente, inclusive vestido uniformes do Exército equatoriano

Agências internacionais,

12 de março de 2008 | 09h56

O norte do Equador se converteu em um santuário para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo testemunhos de ex-combatentes da guerrilha e o conteúdo dos computadores apreendidos durante a operação militar em território equatoriano que provocou a morte do número 2 do grupo, Raúl Reyes, publicados na edição desta quarta-feira, 12, do jornal espanhol El País.  Veja também:Por dentro das Farc Entenda a crise na América Latina  Histórico dos conflitos armados na região  Graças às redes de corrupção arranjadas com autoridades locais e militares, o grupo armado estabeleceu, segundo fontes militares colombianas, pelo menos oito acampamentos estáveis, de onde se organizam o tráfico de armas, o transporte de drogas e o controle dos povoados. "Toda a zona da fronteira é segura do lado equatoriano", conta Miguel, um ex-rebelde que conhece o terreno por ter atuado na Frente 48 das Farc durante 10 anos e, com alguns companheiros. "Fazemos nossos acampamentos nas terras e nos abastecemos nas comunidades. Altos comandos militares nos apóiam com a logística, com armamento, barracas e uniformes. Na Frente 48 usamos uniformes equatorianos, porque é mais fácil do que esperar que o Secretariado nos mande da Colômbia", afirma Miguel, membro da segurança de Raúl Reyes que abandonou recentemente a luta armada e vive na clandestinidade nos arredores de Bogotá. Os guerrilheiros se movem pelo norte do Equador em caminhonetes, como constatou um dos funcionários da Organização dos Estados Americanos (OEA), que expressou o desconcerto que lhe provocou o momento em que o grupo cruzou com membros da guerrilha em restaurantes.O grande provedor da guerrilha é Patricio González, poderoso traficante de armas equatoriano que colabora com as Farc há 25 anos. "Os generais equatorianos que trabalham com Patricio vendem uma parte das armas que deveriam ser destruídas", assegura Miguel.  No território liberado, a guerrilha estabeleceu corredores para o transporte de cocaína, principal fonte de financiamento do grupo. Graças às "mensalidades" que recebem das Farc, assegura Miguel, as autoridades locais fazem vista grossa, inclusive oficiais no Exército equatoriano na fronteira. "Detectamos 11 acampamentos em solo equatoriano", disse uma fonte da inteligência colombiana. "Oito grandes e três pequenos". Os maiores são bases permanentes. Da região da fronteira com o Equador, a Colômbia sofreu 39 ataques das Farc desde 2004, um deles causando a morte de 22 soldados. "Entregamos 16 informes para a Comissão Binacional para Assuntos Fronteiriços e oito para a chancelaria equatoriana, sobre a presença das Farc em seu território", disse um alto funcionário colombiano. "Eles negam ou simplesmente não respondem", afirmou. Segundo o governo equatoriano, o problema é que a Colômbia não cuida de suas fronteiras. Para a comissão da OEA, que visitou a região na segunda-feira, não há dividas de que o Equador precisa de ajuda internacional para manter o controle da divisa. "O Equador requer cooperação para fazer um controle efetivo", reiterou José Miguel Insulza, secretário geral do organismo.

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