Equador é via de trânsito de dinheiro 'sujo', diz diretor

Equador é um país atraente para a lavagem de dinheiro e atividades vinculadas ao narcotráfico devido à sua proximidade com os maiores produtores mundiais de cocaína e sua economia dolarizada, advertiu nesta quinta-feira o chefe da unidade estatal contra a compra e venda ilegal de ativos.

ALEXANDRA VALENCIA, REUTERS

24 Maio 2012 | 21h04

E, efetivamente, o país andino já está sendo usado como via de trânsito do dinheiro produto do tráfico de drogas ilícitas e em seu território pode estar ocorrendo algumas fases do processamento e comercialização de cocaína antes de chegar aos grandes consumidores, como Estados Unidos, reconheceu.

"Nos usam como trânsito do dinheiro sujo para irem se radicar em paraísos fiscais ... nossa economia não é suficientemente grande como para encobrir com facilidade uma grande avalanche de lavagem de dinheiro", disse o diretor da Unidade de Análises Financeiras, Gustavo Iturralde, em entrevista à Reuters.

"O feito de ter dois países vizinhos produtores de droga, como Colômbia e Peru, também faz com que o narcotráfico... comece a usar o país como cenário para fazer suas transações ou contratar transporte da droga", acrescentou.

O Equador adotou o dólar como moeda em 2000, mas a partir de 2005 criou um marco legal que definiu como crime a lavagem de bens e obrigou os atores econômicos a registrar as operações financeiras de seus clientes.

Embora seja muito difícil quantificar o montante que esse tipo de crime movimenta no país, Iturralde mencionou estudos acadêmicos, sem detalhar a procedência, que falam de 3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) que totaliza 27 bilhões de dólares.

O Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi) colocou em 2010 o Equador na "lista negra" de nações que não cooperam no combate à lavagem de ativos e em sua última reunião de fevereiro solicitou a continuidade do trabalho para implementar um plano completo de ação.

Em junho, o Gafi irá se reunir novamente para uma decisão final sobre o Equador.

Ele observou que os setores mais sensíveis à lavagem de dinheiro são construção, venda de automóveis e pequenas cooperativas que recebem e enviam dinheiro de imigrantes equatorianos.

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