Equador inicia Constituinte; Correa disponibiliza Presidência

Chefe de governo equatoriano e vice oferecem o cargo; para presidente, reforma é 'ponto sem retorno'

Agências internacionais,

29 de novembro de 2007 | 15h08

O presidente do Equador, Rafael Correa, e o vice-presidente do país, Lendin Moreno, colocaram os seus cargos à disposição no início dos trabalhos da Assembléia Constituinte nesta quinta-feira, 29.O organismo foi oficialmente instalado nesta tarde, armado de plenos poderes para reformar a Carta Magna, em uma jogada com a qual o presidente pretende levar o país andino até o socialismo.   Veja também: Equador inaugura TV estatal com o apoio da Venezuela Para analistas, renúncia de Correa é manobra políticaEspecial: Tensão na América do Sul       Para analistas, a decisão é parte de uma manobra de Correa para se legitimar no cargo, já que o órgão não deverá acatar sua renúncia. Correa afirmou que a instalação da Assembléia Constituinte marca um "ponto sem retorno da revolução da cidadania" que pretende o seu governo. As declarações foram feitas na TV Equador, emissora estatal inaugurada nesta quinta-feira.   Correa declarou o seu desejo de que a Assembléia "analise as mudanças tão desejadas pelo povo equatoriano, tão perseguido, dedicado e nunca atendido". Segundo ele, esta oportunidade de transformação do Estado é "história para promover mudanças", advertindo que se não for aprovada, ele teme que "as próximas mudanças sejam mais violentas, porque o povo não agüenta mais"."Espero que seja feita a transformação radical, profunda e rápida das estruturas políticas, econômicas e sociais do país, promovendo a uma revolução cidadã".   A assembléia, que conta com 130 cadeiras - 80 delas nas mãos do movimento político de Correa - tem um prazo de 180 dias, prorrogáveis por mais 60, para implementar as reformas na Constituição, que serão então submetidas a um referendo no ano que vem.   O organismo constitui-se no eixo do plano político de Correa, que pretende reduzir o poder político dos partidos tradicionais no aparato estatal e desmontar as políticas neoliberais que vêm guiando o país.   Minutos depois de abrir a sessão, os constituintes decidiram fazer um recesso devido a problemas técnicos na sala de reuniões, em um complexo urbanístico construído especialmente para o funcionamento da assembléia, na cidade de Montecristi, 250 km a oeste de Quito.   Milhares de equatorianos foram até a sede dos trabalhos para oferecer seu apoio e fiscalizar o cumprimento de suas funções. "Estamos aqui para cuidar de nossos direitos e exigir que cumpram tudo o que propuseram", disse o líder camponês Fabián Navarrete, que pernoitou nas imediações da assembléia junto com outras centenas de pessoas.   A instauração de Assembléias Constituintes foi o caminho escolhido pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, para consolidar seu poder e sustentar suas plataformas políticas, que incluem a nacionalização dos recursos naturais. Correa, que professa sua amizade com Chávez, é um dos presidentes mais populares da última década no Equador.

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