Equador inicia plebiscito por nova constituição

O governo do Equador e a enfraquecidaoposição do país iniciaram nesta quinta-feira uma campanha paraum plebiscito no qual a população, amplamente indecisa, deverádecidir se apóia ou recusa um plano socialista do presidenteRafael Correa para uma nova constituição. Em meio a acusações de ambas as partes, 9,7 milhões deequatorianos irão comparecer às urnas no dia 28 de setembropara votar o projeto elaborado por uma Assembléia Constituintecontrolada pelo governo. A nova constituição propõe maispoderes para o presidente e sua reeleição imediata. A campanha, oficializada depois da convocação para oreferendo, mobilizou partidos e organizações políticas em todoo país, com bandeiras a favor e contra a nova carta magna de444 artigos. O governo promove a proposta oficial em debates e fóruns,onde distribui o texto impresso do projeto. Parte da proposta érejeitada pela Igreja Católica. "Vamos ganhar limpo. Vai ganhar o 'Sim"', disse o Ministroda Política, Ricardo Patiño, ao indicar que o governo nãoutilizará a estrutura pública e nem recursos estatais parafazer campanha, o que é uma das acusações da oposição. Os movimentos favoráveis a Correa fizeram concentrações,distribuindo panfletos e adesivos com dizeres que ressaltam osbenefícios do projeto, que aumenta o controle estatal naeconomia e diminui o poder dos partidos desprestigiados nasestruturas estatais. Os partidários do "Não", que se concentram em sua maioriaem Guayaquil, apelaram a criativas representações daConstituição, associando-a a uma proposta "diabólica eabortiva" para promover o "Não". "É centralizadora, estabelece que o Estado terá controleexclusivo, empurrando ao totalitarismo", disse o presidente doConselho de Câmaras do Equador, Patricio Donoso, a jornalistas. Em uma pesquisa publicada nesta quinta-feira pela empresaSantiago Pérez, vinculada ao Governo, o "Sim" aparece emvantagem, com 49 por cento das intenções de voto. A sondagem, do dia 10 de agosto mostrou que 27 por centodos equatorianos votariam pelo "Não" e 27 por cento se dividementre votos nulos e brancos. (Por Alexandra Valencia)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.