Equador não retomará relações com Colômbia

Chanceler equatoriana diz que diplomacia não será restabelecida e ameaça restrições comerciais contra Bogotá

AP e Efe,

24 de junho de 2008 | 14h32

O Equador decidiu não retomar suas relações diplomáticas com a Colômbia e não descarta restrições comerciais como resposta a uma posição de "inconsistência e incoerência" do governo de Bogotá, anunciou nesta terça-feira, 28, a chanceler María Isabel Salvador. "Tomamos a decisão de não restabelecer as relações com a Colômbia", disse em uma coletiva de imprensa, acrescentando que não ia "responder por quanto tempo" se manterá a ruptura dos vínculos.   Veja também: Colômbia adia retomada de relações com Equador   María advertiu que "se a situação não tende a melhorar, sobretudo na posição de respeito da Colômbia perante o Equador, não descartamos eventualmente a possibilidade de interromper as relações comerciais."   Em Bogotá, a imprensa local informou que a Colômbia decidiu postergar a retomada das relações com o Equador por entender que não há um "clima amistoso" e por considerar "agressivas as declarações do presidente equatoriano Rafael Correa em uma entrevista com um veículo argentino.   "Trata-se claramente de uma nova falta de respeito do governo colombiano, que demonstra a falta de seriedade", afirmou a chanceler equatoriana.   OEA   Ainda nesta terça, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu aos dois países para que retomem o compromisso de restabelecer relações diplomáticas sem condições prévias, em nível de encarregados de negócios, o que deveria se formalizar no decorrer desta semana.   Insulza afirmou que nos próximos dias viajará para Bogotá e Quito, onde deve se reunir "com as mais altas autoridades de ambos os Governos", para retomar o processo de diálogo e concretizar os mecanismos de cooperação na área de segurança.   Os vice-chanceleres de Colômbia, Camilo Reyes, e Equador, José Valencia, acertaram, em 10 de junho, na sede da OEA em Washington, uma reunião entre os ministros de exteriores dos dois países no final do mês para formalizar o processo de normalização das relações diplomáticas.   O Equador rompeu relações com a Colômbia em 3 de março, dois dias após uma incursão do Exército colombiano em território equatoriano para bombardear um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Desde então, a OEA supervisionou um processo de aproximação que deveria se formalizar até o final do mês.   O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e Correa acordaram em 6 de junho o restabelecimento das relações diplomáticas, "em uma primeira instância em nível de encarregados de negócios", gestão na qual participou o Centro Carter.   Insulza considerou que este é o caminho certo para avançar na recuperação da confiança mútua e na construção de uma agenda de cooperação. Além disso, pediu a ambos os países para colocar fim às declarações públicas que possam gerar um distanciamento entre as partes e um retrocesso no clima de confiança que tinha sido obtido com a gestão da OEA.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaEquador

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.