Equador pede a Brasil que reveja posição no caso Odebrecht

O presidente equatoriano Rafael Correa pediu ao Brasil, no sábado, que reveja sua decisão de cancelar uma missão comercial devido à disputa com a construtora brasileira Odebrecht, que provocou tensões entre os dois países aliados. Esta semana, Correa rejeitou uma oferta feita pela Odebrecht para solucionar uma disputa contratual e reter 800 milhões de dólares em obras contratadas com o governo. No mês passado, o presidente esquerdista confiscou as instalações da Odebrecht no país andino, em função de uma hidrelétrica danificada que o governo afirma ter sido mal construída. "Espero que o governo brasileiro reveja sua decisão", disse Correa durante seu discurso semanal no rádio. "Respeitamos a decisão do Brasil, mas não a entendemos, já que o problema é entre o Equador, um país soberano, e uma empresa." O Brasil cancelou uma missão marcada para a próxima semana para discutir auxílio brasileiro a projetos de infra-estrutura no Equador. A disputa ressalta os desafios enfrentados pelo Brasil na busca da integração econômica regional em meio ao nacionalismo ressurgente e à postura intransigente de Correa até mesmo com os aliados do Equador. O presidente equatoriano ameaçou nacionalizar os campos petrolíferos da brasileira Petrobras, que está em conversações para a revisão de seus contratos atuais, de modo a aumentar a parcela do Estado na receita dos campos. Neste sábado, o governo equatoriano anunciou que vai renegociar contrato com a Agip, subsidiária da italiana Eni. Correa informou que rejeitou a oferta feita pela Odebrecht devido a irregularidades identificadas em seus contratos com o Estado. Desde que assumiu o poder, no ano passado, Rafael Correa vem mantendo laços positivos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num esforço para obter avanços nos setores energético e de infra-estrutura do Equador. O presidente, que goza de grande popularidade em função de suas promessas de redistribuir as riquezas nacionais entre os pobres, vem pressionando empresas de petróleo e mineração a rever seus contratos, de modo a reforçar o controle do Estado sobre esses setores chaves. Ele venceu um referendo em 28 de setembro para ampliar seus poderes sobre a economia e as principais instituições políticas. (Reportagem de Alonso Soto)

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