Equador pode perder respaldo venezuelano na OEA

Caracas diz que reunião deve ratificar decisão do órgão; Quito exige condenação da incursão colombiana

Agências internacionais,

17 de março de 2008 | 09h23

O Equador corre o risco de não ter nem o apoio venezuelano durante a reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acontece nesta segunda-feira, 17.  Quito deve voltar a pedir por uma condenação do governo colombiano por violar o território equatoriano durante a incursão que matou o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Raúl Reyes.   Veja também: Entenda o conflito entre Colômbia, Equador e Venezuela   O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, deverá apresentar um relatório sobre sua visita ao acampamento das Farc, atacado por tropas colombianas no dia 1º de março, "dando origem à crise que estremeceu a região".   Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que o propósito do encontro será "ratificar o caminho assinalado há uma semana na Cúpula do Grupo do Rio, no sentido de que a América Latina e o Caribe têm a capacidade de trabalhar juntos, fortalecendo a paz e o diálogo político na região". O chanceler colombiano, Fernando Araújo, concordou com a posição do colega. "A condenação contra Colômbia proposta pelo Equador é um tema superado depois da Cúpula do Rio".   O jornal aponta que o clima para a Colômbia é favorável também porque a reunião desta segunda, que acontece em Washington, contará com a participação do subsecretário de Estado dos Estados Unidos e um dos homens mais fortes do governo do presidente George W. Bush, John Negroponte.   Durante todo o domingo, Colômbia e Equador, com a ajuda de países amigos, tentaram negociar um projeto de resolução conjunta, porém não chegaram a nenhum acordo. Quito insistirá em uma condenação explicita da Colômbia e Bogotá deve reiterar uma resolução que ordene o cumprimento dos acordos já definidos entre os dois países, porém desta vez com a inspeção da OEA na área do combate.   A decisão do dia 5 estabelecia apenas que a Colômbia deveria pedir desculpas ao Equador e comprometer-se a não voltar a violar o território vizinho. O acordo, no entanto, parece agora não ser suficiente para Quito. "Vamos pedir a palavra "condenação"", afirmou a chanceler equatoriana, María Isabel Salvador. No sábado, o presidente do Equador, Rafael Correa, já havia pedido uma posição mais dura da OEA. "Espero que o relatório seja contundente e não tente agradar aos dois lados."   Os EUA podem propor uma outra resolução, que inclua o reconhecimento do direito de "legítima defesa" exercido pela Colômbia, já que o governo colombiano justificou a invasão com a lei que garantiu as incursões americanas no Afeganistão e no Iraque.

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