Equador promete devolver investimentos a petrolíferas

O presidente do Equador, Rafael Correa,disse neste sábado que devolverá às petrolíferas estrangeirasos investimentos que realizaram em suas áreas de concessão,caso as empresas não cheguem a um acordo nas negociações doscontratos com o governo e decidam abandonar o país. O Equador quer que as empresas aceitem mudar seus contratosde participação, que definem a distribuição da produção entreas partes, por um outro instrumento que dá ao Estado todos osbenefícios da extração, com o objetivo de capitalizardiretamente as receitas obtidas com os altos preços dopetróleo. Participam das negociações, iniciadas no ano passado, aPetrobras, a espanhola Repsol-YPF, a panamenha City Oriente, aschinesas Andes Petroleum e Petroriental e a francesa Perenco. O novo contrato de prestação de serviços proposto despertoua preocupação das empresas com respeito a seus investimentos,que deveriam ser amortizados com o tempo e sob condiçõesvigentes nos atuais contratos. "Se não estão satisfeitos (com a proposta), não háproblema. Aqui não queremos enganar ninguém. Quanto gastaramnos investimentos? 200 milhões de dólares. Tomem seus 200milhões de dólares. A Petroequador (a petrolífera estatal)explorará esse campo", disse Correa. "Não permitiremos, compatriotas, que eles continuem levandonosso petróleo", acrescentou Correa, em seu programa semanal derádio. A restruturação das relações entre o Equador e aspetrolíferas é parte da nova política de Correa, umnacionalista amigo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. O Equador apresentou a proposta de mudança contratualdepois de Correa ter aumentado, em outubro, a participaçãoestatal de cerca de 50 por cento para 99 por cento das receitasextraordinárias que recebiam as empresas pelos altos preços dopetróleo. O governo pretende concluir a negociação dentro de 45 dias,mas o avanço dependerá da abertura das petrolíferas paranegociar. Do contrário, elas podem abandonar o país oucontinuar entregando seus lucros extraordinários ao Estado,advertiu o presidente, que está há um ano no cargo. "Os contratos de prestação de serviços sempre devempreponderar no âmbito petrolífero porque o petróleo é nosso",acrescentou. O Equador produz cerca de 500 mil barris de petróleo pordia, dos quais metade corresponde a empresas estrangeiras. (Por Alexandra Valencia)

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