Equador rechaça proposta e ratifica expulsão da Odebrecht

Correa 'cedeu muito', mas 'definitivamente' construtora brasileira não pode continuar no país, diz ministro

Reuters

08 de outubro de 2008 | 20h42

O Equador ratificou nesta quarta-feira, 8, sua decisão de expulsar a construtora brasileira Odebrecht, depois de analisar uma proposta econômica que não convenceu ao presidente Rafael Correa para compensar o país pelos danos registrados em um de seus projetos. Correa expulsou em setembro a Odebrecht porque a empresa negou-se a reparar economicamente ao país por falhas na central  hidrelétrica San Francisco, que há três meses paralisou suas operações, colocando em risco o abastecimento de energia.   Veja também: Amorim diz que é importante ter paciência com o Equador Correa diz não querer volta da Odebrecht Gabrielli diz que Petrobras não aceitará exigência do Equador Petrobras não terá prejuízo no Equador, diz Edison Lobão Termos do contrato inviabilizam calote do governo equatoriano no BNDES Equador pode parar de pagar 'dívida ilegítima', diz Correa "O presidente cedeu muito, mas definitivamente (a Odebrecht) não pode estar no país. Analisamos tudo e cremos que não é possível continuar com ela", disse o ministro coordenador de Setores Estratégicos, Galo Borja, a jornalistas, após uma reunião com o mandatário.   Procurada pela BBC Brasil, a assessoria de imprensa da empreiteira afirmou que a empresa não foi comunicada oficialmente, mas que "está disposta a acatar qualquer decisão do governo equatoriano."   Na semana passada, a construtora havia oferecido uma garantia de US$ 43 milhões que poderia ser transferida para o Estado para o pagamento de uma eventual multa, caso uma auditoria internacional responsabilizasse a construtora pelas falhas encontradas em San Francisco. A empresa também havia oferecido estender a garantia das obras por mais um ano e arcar com os custos de reparação das falhas da usina.   O impasse entre o governo equatoriano e a construtora começou quando o presidente firmou um decreto ordenando o embargo dos bens da empresa brasileira, a militarização de todas as obras em andamento e a proibição de que funcionários da empresa deixassem o país.   Com uma potência prevista de 230 megawatts e com capacidade para abastecer 12% da energia do país, a central San Francisco foi construída pelo Consórcio Odebrecht e inaugurada em junho de 2007. Um ano depois, a usina começou a apresentar falhas e foi fechada.   San Francisco é a primeira usina no mundo totalmente subterrânea, programada para responder por 12% da energia hidrelétrica do país. Está localizada ao lado do vulcão Tungurahua, a 220 quilômetros de Quito, e usa águas do Rio Pastaza.   Segunda maior hidrelétrica do país, a usina custou mais de US$ 338 milhões e somente os reparos estão orçados em aproximadamente US$ 12 milhões, segundo o Conselho Nacional de Eletricidade do Equador (Conelec). A companhia brasileira está no Equador há 20 anos e possuía outras 4 obras em andamento, onde empregava 3 mil trabalhadores.     (Com BBC Brasil)  

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