Equador rompe relações diplomáticas com a Colômbia

Governo acusa Bogotá de violar a soberania e o território equatoriano, além de fazer acusações 'cínicas' e falsas

AP e BBC Brasil,

03 de março de 2008 | 19h27

O governo do Equador rompeu, nesta segunda-feira, 3, relações diplomáticas com a Colômbia, devido à incursão armada do exército colombiano no sábado em território equatoriano, contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A operação do exército colombiano culminou na morte do segundo guerrilheiro mais importante das Farc, Raúl Reyes, e de mais 16 insurgentes. O Equador também enviou 3.200 soldados para a fronteira, em uma inusitada mostra de força, e negou manter relações com as Farc.  Veja também: Dê sua opinião sobre o conflito   Veja a repercussão na imprensa internacional     Por dentro das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Colômbia acusa Chávez de ter dado US$ 300 milhões às FarcOEA pede reunião para resolver crise entre Colômbia e EquadorChávez diz que morte de número 2 das Farc foi ato 'covarde'Perfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das FarcColômbia deve 'pedido de desculpa' ao Equador, afirma AmorimMinistro equatoriano admite que se reuniu com líder das Farc O ministério de Relações Exteriores do Equador informou nesta noite, em comunicado, que "por disposição do presidente da República (Rafael Correa), foi convocado hoje o senhor Héctor Arenas Neira, ministro conselheiro da Embaixada da Colômbia no Equador, ao qual foi entregue o comunicado mediante o qual se notifica que o governo do Equador decidiu romper as relações diplomáticas com o governo da Colômbia, a partir desta data." Segundo o ministério, "esta decisão foi adotada frente à evidente violação da soberania nacional e da integridade territorial do Equador, e das muito graves acusações divulgadas hoje pela presidência da Colômbia - que insinua acordos entre as Farc e o governo do Equador - assim como pelas declarações cínicas e temerárias do general Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional da Colômbia." Nesta manhã, Naranjo acusou os governos do Equador e da Venezuela de terem ligações políticas e, no caso da Venezuela, até financeiras e militares, com as Farc. Segundo o governo colombiano, documentos encontrados no acampamento onde um líder das Farc foi morto mostraram evidências de Chávez deu US$ 300 milhões aos guerrilheiros. Também afirmam que um dos documentos, datado de 18 de janeiro, diz que Reyes encontrou-se com o ministro da Segurança Interna do Equador, Gustavo Larrea, e que ambos discutiram os "interesses de Correa em manter relações oficiais com as Farc".  No domingo, o governo do Equador chamou de volta seu embaixador na Colômbia. No fim de semana, Equador e Venezuela anunciaram o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia, em uma reação à operação das forças colombianas em território equatoriano. Representantes de países da região defenderam uma saída negociada para diminuir a tensão e afastar a possibilidade de um conflito armado na região.  Mediação internacional Uma reunião extraordinária da Organização de Estados Americanos (OEA) que ocorrerá na terça-feira, em Washington, deverá discutir a crise entre a Colômbia e o Equador, e que também envolve a Venezuela.  Brasil apresentará dois pontos na reunião: que a Colômbia apresente um pedido de desculpas explícito e sem adjetivações ao Equador; e a criação de uma comissão de investigação da OEA para identificar qual país tem razão sobre o episódio.  "Nós queremos a paz no continente, não temos posição doutrinária em relação a nenhum país", disse, durante coletiva em Brasília, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. Ele reconheceu que a crise é "grave" e disse que o pedido de desculpas da Colômbia ao Equador não foi "muito explícito" e deveria ser refeito.  Amorim confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o colombiano Álvaro Uribe e o equatoriano Rafael Correa em busca de uma possível "convergência" que possa ajudar a minimizar a tensão.  O chanceler da Argentina, Jorge Taiana, divulgou nota em que diz que o governo do país rejeita "qualquer forma de violação da soberania regional". De acordo com o comunicado, Taiana conversou com sua colega equatoriana, María Isabel Salvador, antes de divulgar o texto, e antecipou a posição do governo argentino na reunião extraordinária da OEA nesta terça-feira.  "A Argentina vai expor na sessão extraordinária da OEA a firme posição de rejeição a qualquer forma de violação da soberania territorial a um Estado membro", afirma a nota. Taiana declarou ainda que "o respeito da soberania territorial é um princípio inviolável no direito internacional e nada e nem ninguém pode justificar sua violação".  No Chile, a presidente Michelle Bachelet disse que "o mais importante no momento, além de uma explicação (para a incursão colombiana), é evitar que este conflito tenha uma escalada". "Há um conjunto de países como o nosso que estão disponíveis para buscar uma boa saída ", afirmou. EUA e ONU  O porta-voz do Departamento de Estado americano, Tom Casey, disse que os Estados Unidos apóiam o direito da Colômbia de se defender das Farc, mas defendeu a abertura de um diálogo entre colombianos e equatorianos. "De nosso ponto de vista, este é um assunto entre a Colômbia e o Equador", disse. "Não tenho certeza sobre o que isso tem a ver com a Venezuela."  O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também fez um apelo ao diálogo e disse estar preocupado "com o aumento das tensões e da retórica durante o fim de semana", de acordo com uma porta-voz. O governo colombiano defendeu ainda a legitimidade do bombardeio, e garantiu que uma resolução ONU autoriza ataques contra o terrorismo.  (Com agências internacionais)

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